MULHERES
10/04/2019 19:28 -03 | Atualizado 10/04/2019 19:47 -03

A jovem cientista de 29 anos por trás do algoritmo que capturou o buraco negro

Alguma dúvida de que o lugar da mulher é onde ela quiser — inclusive na ciência?

Esta quarta-feira, 10 de abril, ficará marcado como uma data histórica para a ciênciaapós um grupo de cientistas divulgar a primeira imagem já capturada de um buraco negro. Mas o que pouca gente pode ter conhecimento, até agora, é que uma jovem cientista de 29 anos é uma das principais responsáveis por construir o algoritmo que foi capaz de capturar a icônica imagem.

“Observando, incrédula, a primeira imagem que eu já fiz de um buraco negro que estava em processo de reconstrução”, escreveu a cientista Katie Bouman em um post compartilhado no seu perfil do Facebook após a foto do objeto ter se tornado pública.

Só para deixar claro, caso alguém não tenha entendido: a foto compartilhada por Bouman marca a primeira imagem que ninguém, nunca antes na História da Ciência, havia conseguido produzir. 

Dito isso, vamos ao que interessa: Katherine Bouman guardou um segredo por muito tempo.

Ela havia desenvolvido um algoritmo capaz de captar a imagem e não contou a ninguém, apenas aos seus colegas cientistas da equipe do Event Horizon Telescope. 

Bouman é pesquisadora de pós-doutorado no Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, e estava trabalhando no tal algoritmo há quase 6 anos, desde que ela era uma estudante de pós-graduação no MIT (Massachusetts Institute of Technology), de acordo com o jornal Washington Post.

Com apoio de outros cientistas da computação, o grupo usou o algoritmo para processar dados coletados pelos telescópios que estavam espalhados pelo mundo em um esforço coletivo de astrônomos, engenheiros e matemáticos.

No entanto, “um número infinito de imagens possíveis” poderia explicar os dados obtidos, explicou Bouman em entrevista ao jornal. E foi aí que entrou o trabalho dos algoritmos que tiveram que organizar o caos.

“Eu tenho interesse em como podemos ver ou medir coisas que são consideradas invisíveis para nós”, explicou a cientista.

De acordo com os pesquisadores, o buraco negro estudado tem 40 bilhões de quilômetros de diâmetro. Ou seja, ele é cerca de 3 milhões de vezes maior que o planeta Terra. Não à toa foi apelidado pelos cientistas como um “monstro”.

No Twitter, o MIT publicou uma foto de Katie com os drives que agregaram todos os dados usados pelos cientistas.

Ao lado dela, uma imagem em preto e branco mostra a cientista Margaret Hamilton, quem ajudou a escrever o código do algoritmo que foi capaz de levar o homem até a lua. 

Alguma dúvida de que o lugar da mulher é onde ela quiser, inclusive na ciência?