MULHERES
21/02/2020 17:15 -03 | Atualizado 22/02/2020 21:24 -03

Mãe compartilha vídeo de quebrar-corações de filho traumatizado por bullying

Ativista diz que seu filho, que tem nanismo, é severamente intimidado todos os dias na escola. "Se eu não me levantar e falar por ele, quem o fará?”

Yarraka Bayles
Quaden, de 9 anos, enfrenta bullying todos os dias na escola.

“Se eu não me levantar e falar por ele, quem o fará?” Foi com esta pergunta que a ativista e mãe, Yarraka Bayles, de Queensland, nos Estados Unidos, compartilhou vídeo nas redes sociais em que seu filho de 9 anos expõe a tamanha intimidação que o sofre no ambiente escolar por ter nanismo.

Bayles, que é defensora de questões indígenas norte-americanas e da conscientização sobre deficiências, disse à NITV que foi buscar seu filho na Escola Estadual Carina de Brisbane na última quarta-feira (19) e testemunhou outro aluno fazer bullying com ele por causa de sua altura.   

Quaden nasceu com acondroplasia, uma forma comum de nanismo. No carro, Bayles começou a filmar a angústia de seu filho na esperança de incitar os pais a agir contra o bullying ininterrupto que sofrido por seu filho.   

“Acabei de pegar meu filho na escola, testemunhei um episódio de bullying, liguei para o diretor e quero que as pessoas saibam - pais, educadores, professores - este é o efeito que o bullying tem”, Bayles afirma no vídeo.

Ela explicou no vídeo que a zombaria e a provocação do filho é constante e que muitas vezes ele pensa em tirar a vida. Em lágrimas, disse Quaden no vídeo: “Eu só quero morrer agora mesmo. Me dê uma faca que eu quero me matar.”

Desde a tarde de quinta-feira, a live foi vista 4 milhões de vezes e recebeu 96.586 ações em toda a plataforma social. Autoridades e celebridades, incluindo estrelas do universo esportivo, prometeram apoio ao garoto. 

“Essa é uma das coisas mais tristes que já vi”, disse o artista Allan Mckenzie antes de doar uma cópia de seu famoso Because of Her We Can (Por causa dela nós podemos, em tradução livre) para a mãe de Quaden. “Quero que você e a sua família saibam que estamos contigo, te apoiamos na sua jornada.”

“Este é o vídeo mais difícil que eu já vi. Um menino de 9 anos querer se matar pelo bullying que sofre na escola. O que está acontecendo com no nosso mundo? Vamos apoiar Quaden e mostrar a ele que nem todos estão contra ele”, disse no Twitter o comediante Rob Shehadie.

“A mãe do Quaden compartilhou publicamente um vídeo dele implorando por uma corda para tirar sua própria vida devido ao bullying. O que se passa com os negros é que, se intimidam um de nós, intimidam-nos a todos. Nós estamos com você Quaden e precisamos de você aqui, na Terra”, disse a ativista Nessa Turnbull-Roberts, também no Twitter.

Após a repercussão, o time de rugby Indigenous All Stars também publicou um vídeo de apoio a Quaden e convidou o garoto para entrar com o time em campo na partida de sábado (22).

“Este é o impacto sobre uma criança de nove anos que só quer ir à escola, ter uma educação e se divertir”, explicou Bayles no vídeo. “Mas a cada dia que passa, algo acontece. Outro episódio, outro bullying, outro insulto.”

O ator Hugh Jackman também prestou solidariedade ao garoto. “Quaden, você tem um amigo em mim”, escreveu no Twitter o eterno Wolverine. A atriz americana Jillian Barberie também escreveu no Twitter: “Meu filho de 10 anos, Rocco, tem uma mensagem para Quaden na Austrália, que sofreu um caso horrível de bullying. Você é um homenzinho forte. Tantas pessoas te amam”.

O humorista Brad Williams montou uma página do GoFundMe para Quaden Bayles na quinta-feira, 20. O ator, que também tem nanismo, escreveu: “Estou montando este GoFundMe para informar Quaden que o bullying não será tolerado e que ele é um ser humano maravilhoso que merece alegria’. 

Na tarde de sexta-feira (21), cerca de 16,5 mil pessoas já haviam doado para a página e arrecadaram aproximadamente US$ 366 mil (cerca de R$ 1,6 milhão).

Bayles disse à NITV que também recebeu críticas ao vídeo, mas que estava preparada para isso. “Eu já recebi muitas críticas, pensei duas vezes em apagá-lo, mas queria que as pessoas vissem o efeito que o bullying está tendo no meu filho”, disse ela à publicação. 

A ativista acrescentou que a consciência da deficiência precisa ser aumentada nas escolas e que a discriminação precisa ser abordada. “Ninguém conhece as batalhas que enfrentamos. Eu costumo compartilhar todos os destaques positivos, mas essas coisas precisam ser expostas para salvar a vida dos nossos bebês”.

A NITV informa que Quaden saiu da escola e é possível que, a partir de agora, seja educado em casa. Bayles disse à publicação que não culpa nenhuma criança específica, embora ela esteja provocando a escola a tomar mais medidas para educar alunos e pais sobre os efeitos do bullying.