MULHERES
29/08/2019 11:56 -03 | Atualizado 29/08/2019 19:11 -03

‘Nos sentimos pessoalmente ofendidas’, diz brasileira de grupo que lançou apoio a Brigitte Macron

Hashtags de pedido de desculpas à primeira-dama da França foram criadas após comentário de Bolsonaro em rede social.

#DesculpaBrigitte e #PardonBrigitte. As mensagens de apoio e de pedidos de desculpas à primeira-dama da França, Brigitte Macron, ganharam força nesta semana após comentário do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. Além de diversas personalidades brasileiras, dois grupos de mulheres que moram na França iniciaram movimentos e publicaram manifestos de apoio a Brigitte.

“Brasileiras de Paris”, grupo com mais de 5 mil integrantes, publicou uma carta em francês em que exprimem “solidariedade e indignação”. O núcleo de Paris do “Grupo Mulheres do Brasil” também se posicionou e publicou um manifesto.

Em conversa com o HuffPost Brasil, Andrea Clemente, uma das líderes do núcleo de Paris, explicou como surgiu a iniciativa. “Quando observamos os ataques, nos sentimos pessoalmente ofendidas. Quisemos reafirmar propósitos, estender a mão e mostrar que nenhuma de nós está sozinha”.

No sábado (24), um seguidor fez um comentário em uma publicação de Bolsonaro utilizando imagem em que Michelle Bolsonaro e Brigitte Macron são comparadas: “Entende agora porque Macron persegue Bolsonaro?”, dizia a imagem postada em rede social.

Reprodução
Bolsonaro responde a comentário de seguidor que comparou Michelle Bolsonaro e Brigitte Macron.

O seguidor postou a imagem nos comentários escrevendo ”é inveja presidente do Macron, pode crê”. O ex-deputado respondeu, dizendo “não humilha cara. Kkkkkkk”, dando a entender que valida a sugestão de que a beleza de Michelle seria o motivo pelo qual o Macron o “perseguiria” durante o G7.

Segundo Clemente, após o episódio, o Grupo quer reforçar a importância de falar e debater sobre políticas públicas todas as formas de violência contra a mulher ― e se coloca disponível para conversar com autoridades.

“Nos colocamos à disposição de autoridades que queiram conversar sobre todos os dados que já mapeamos e sobre políticas públicas que nos ajudarão a sair de uma posição tão cruel em termos de violência e desigualdade”.

Após o comentário, na segunda-feira (26), Macron, ao ser questionado por um jornalista francês sobre o assunto, afirmou em entrevista na cúpula do G7 que achava a situação triste e que “as mulheres brasileiras sem dúvida têm um pouco de vergonha [de seu presidente]”.  

Mesmo após o início da repercussão negativa do episódio, Bolsonaro declarou que não iria se desculpar com a primeira-dama da França pois não havia a ofendido. Mas, nesta quarta-feira (28), o comentário do presidente não estava mais disponível em suas redes sociais. 

O “Grupo Mulheres do Brasil” é formado por 40 mil mulheres brasileiras, com 32 núcleos espalhados por 18 estados do Brasil e 15 cidades do exterior.

“O estímulo ao protagonismo feminino e a participação mais efetiva da mulher nos espaços de poder está entre as nossas principais bandeiras, juntamente ao combate à violência contra a mulher e a qualquer forma de discriminação”, define a representante. 

Ela conta ainda que não imaginava o tamanho da repercussão do movimento – não só do Grupo, mas do apoio no geral que a primeira-dama recebeu. “Apenas quisemos reafirmar nossos compromissos. Mas as manifestações de apoio em nossas redes sociais não param de chegar e os posts atingiram números recordes de engajamento - não apenas de mulheres, mas também de homens e de jovens. É sinal de que a sociedade como um todo está atenta e vigilante”, avalia.

Na terça-feira (27), o jornal francês Le Parisien divulgou que as mensagens teriam chegado à Brigitte, que teria se emocionado com elas. A informação fez o movimento de apoio ganhar ainda mais força.

FRANCOIS MORI via Getty Images

“Quando soubemos e notamos o engajamento também de pessoas de outros países, incluímos a versão em francês para que mais gente tivesse acesso e conhecesse o nosso trabalho. A primeira-dama é uma mulher muito admirável e merece todo o nosso respeito, a despeito de qualquer divergência política que possa existir entre dois homens, líderes de duas nações”.

O Núcleo Paris do Grupo Mulheres do Brasil trabalha há quase dois anos com a comunidade brasileira na França e atualmente tem seis comitês (Educação, Cultura, Saúde, Empreendedorismo, Integração Social e Combate à Violência contra a Mulher) e é liderado voluntariamente por Andrea Clemente, Anna Carolina Martins Coelho e Nazish Munchenbach.

No primeiro semestre do ano, o Núcleo realizou 29 eventos para mais de 800 mulheres de Paris e região. Os planos para os próximos meses incluem, entre outros, um evento sobre o combate à violência contra a mulher.