MULHERES
29/08/2019 15:46 -03 | Atualizado 29/08/2019 19:11 -03

Brigitte Macron diz 'muito obrigada' a brasileiros que criaram #DesculpaBrigitte

Em evento nesta quinta-feira (29), primeira-dama da França agradeceu apoio gerado nas redes sociais após comentário de Bolsonaro.

Com um “muito obrigada” em português, a primeira-dama da França, Brigitte Macron, agradeceu às brasileiras nesta quinta-feira (29), pelo apoio gerado com a hashtag #DesculpaBrigitte, criada após comentário feito pelo presidente Jair Bolsonaro, que gerou crise diplomática entre os países.

“Apenas queria dizer, pois vejo que existem câmeras, duas palavras para os brasileiros e brasileiras, em português: muito obrigada!”, disse, durante discurso em inauguração do Museu de Azincourt, em Pas-de-Calais, na França.

De volta ao francês, a primeira-dama continuou: “Muito, muito obrigada por todos aqueles que se engajaram. Os tempos mudam. Alguns estão no trem da mudança, mas nem todos estão: alguns permaneceram na plataforma.”

O movimento de apoio a Brigitte foi reforçado na última terça, quando o jornal francês Le Parisien divulgou que as mensagens teriam chegado até ela, que teria ficado emocionada. De acordo com assessores da primeira-dama ouvidos pelo jornal, ela ficou sabendo da campanha depois de deixar evento do G7.

“Além de mim, esse apoio é para todas as mulheres. Todas as mulheres foram afetadas pelo que aconteceu. E isso [machismo] é uma questão”, disse, ao ser aplaudida. “As coisas estão mudando, todo mundo precisa estar ciente disso. Há coisas que não podemos mais dizer e coisas que não podemos mais fazer. Espero que me entendam”, concluiu a primeira-dama.

Assista ao discurso:

 

No sábado (24), um seguidor fez um comentário em uma publicação de Bolsonaro utilizando imagem em que Michelle Bolsonaro e Brigitte Macron são comparadas: “Entende agora porque Macron persegue Bolsonaro?”, dizia a imagem postada em rede social.

O seguidor postou a imagem nos comentários escrevendo ”é inveja presidente do Macron, pode crê”. O ex-deputado respondeu, dizendo “não humilha cara. Kkkkkkk”, dando a entender que valida a sugestão de que a beleza de Michelle seria o motivo pelo qual o Macron o “perseguiria” durante o G7.

Após o comentário, na segunda-feira (26), Macron, ao ser questionado por um jornalista francês sobre o assunto, afirmou em entrevista na cúpula do G7 que achava a situação triste e que “as mulheres brasileiras sem dúvida têm um pouco de vergonha [de seu presidente]”.  

Reprodução
Desde quarta-feira (28), o comentário do presidente não estava mais disponível em suas redes sociais.

Após crise diplomática gerada pelo comentário do presidente Jair Bolsonaro sobre Brigitte Macron, brasileiras manifestaram apoio à ela e criaram a hashtag #DesculpaBrigitte nas redes sociais.

Mesmo após o início da repercussão negativa do episódio, Bolsonaro declarou que não iria se desculpar com a primeira-dama da França pois não havia a ofendido. Mas, nesta quarta-feira (28), o comentário do presidente não estava mais disponível em suas redes sociais.

A hashtag #PardonBrigitte, em francês, também foi criada e difundida por brasileiros. A cantora e celebridade da internet Gretchen, e o escritor Paulo Coelho, outros internautas e celebridades se manifestaram dizendo que se sentem envergonhados pela fala do presidente, e que ele não os representa.

BFMTV
"As coisas estão mudando, todo mundo precisa estar ciente disso", disse Brigitte Macron sobre comentário de Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Além de diversas personalidades brasileiras, dois grupos de mulheres que moram na França iniciaram movimentos e publicaram manifestos de apoio a Brigitte.

“Brasileiras de Paris”, grupo com mais de 5 mil integrantes, publicou uma carta em francês em que exprimem “solidariedade e indignação”. O núcleo de Paris do “Grupo Mulheres do Brasil” também se posicionou e publicou um manifesto.

Em conversa com o HuffPost Brasil, Andrea Clemente, uma das líderes do núcleo de Paris, explicou como surgiu a iniciativa. “Quando observamos os ataques, nos sentimos pessoalmente ofendidas. Quisemos reafirmar propósitos, estender a mão e mostrar que nenhuma de nós está sozinha”.