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31/01/2020 13:00 -03

Dia do Brexit: Reino Unido deixa União Europeia e entra em nebulosa zona de transição

De uma vez só, a UE será privada de 15% de sua economia, do país com maior gasto militar e da capital financeira internacional do mundo, Londres.

Henry Nicholls / Reuters
Brexiters celebram saída do Reino Unido da União Europeia nesta sexta-feira (31).

O Reino Unido deixa a União Europeia nesta sexta-feira (31) para um futuro incerto após o Brexit, a mudança mais significativa sobre o lugar do país no mundo desde a perda do império e um revés em 70 anos de esforços em busca de unidade na Europa a partir das ruínas da guerra.

O país deixará o grupo em que ingressou em 1973 uma hora antes da meia-noite, movendo-se para terra de ninguém de um período de transição que preserva a associação em tudo, exceto o nome, até o final deste ano.

De uma só vez, a UE será privada de 15% de sua economia, seu maior gastador militar e a capital financeira internacional do mundo, Londres. O divórcio moldará o destino do Reino Unido — e determinará sua riqueza — pelas próximas gerações.

“Este é o momento em que o amanhecer e a cortina se abrem para um novo ato”, dirá o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em um discurso na televisão, apesar de ter dado poucas pistas sobre seus planos pós-Brexit além de palavras.

“Este é o início de uma nova era”, afirmará Johnson, um dos principais líderes da campanha pelo “Leave” (sair) em 2016.

Além do simbolismo de dar as costas aos 47 anos de filiação à União Europeia, pouco mudará até o final de 2020, quando Johnson prometeu fechar um amplo acordo de livre comércio com a UE, o maior bloco comercial do mundo.

Para os apoiadores, o Brexit é um sonhado “dia da independência” para um Reino Unido que foge do que eles consideram como um projeto condenado de domínio alemão que está prejudicando a população de 500 milhões de habitantes.

Os opositores acreditam que o Brexit é uma loucura que vai enfraquecer o Ocidente, destruir o que resta da influência global do Reino Unido, minar sua economia e acabar por deixar o conjunto de ilhas mais insular e menos cosmopolita no norte do Atlântico.

No “Dia do Brexit”, alguns comemoram e outros choram — mas muitos britânicos não fazem nada. Muitos estão simplesmente felizes com o fim de mais de três anos de disputas políticas tortuosas sobre o divórcio.

Não está claro como o Brexit se sairá para o Reino Unido ou para a União Europeia.

POOL New / Reuters
O premiê Boris Johnson chega à Universidade de Sunderland para reunião de gabinete na 1ª cidade a apoiar Brexit.

Os Brexiters esperam que a ‘independência’ anuncie reformas democráticas e econômicas que irão remodelar o Reino Unido, impulsionando-o à frente de seus rivais europeus, que eles dizem estar acorrentados ao euro.

Apoiadores pró-UE dizem que o Reino Unido se atrofiará e terá pouca opção a não ser se aproximar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O jornal Times mostrou uma charge de Johnson pulando a frigideira da UE para o fogo dos cabelos alaranjados de Trump.

Johnson presidirá uma reunião de gabinete em Sunderland, a primeira cidade a declarar apoio à saída da UE no referendo de junho de 2016. Os Brexiters vão comemorar na Praça do Parlamento, enquanto alguns oponentes do Brexit também devem se reunir.