LGBT
29/01/2019 13:01 -02 | Atualizado 30/01/2019 12:14 -02

A homenagem a Brenda Lee, a 'mãezona' de transexuais na luta contra a aids no Brasil

Nesta terça-feira (29), Dia da Visibilidade Transexual, ativista é homenageada pelo Google.

Reprodução/Google
22 anos após sua morte, ativista é lembrada por luta contra a epidemia de aids no Brasil.

Brenda Lee completaria 71 anos em 2019. Era considerada um verdadeiro “anjo da guarda” e “mãezona” de transexuais em São Paulo. Sua luta para acolher soropositivos e LGBTs virou referência. Em 1996, foi assassinada brutalmente. Nesta terça-feira (29), Dia da Visibilidade Transexual, e 22 anos após sua morte, a ativista é homenageada pelo Google. A capa do buscador traz uma ilustração de Lee e, ao clicar na imagem, é possível conhecer um pouco sobre o legado de amor que ela deixou. 

Brenda Lee nasceu em 10 de janeiro de 1948, em Bodocó, em Pernambuco. Foi registrada como Cícero Caetano Leonardo. Em 1984, deixou sua cidade natal e passou a morar no bairro do Bexiga, em São Paulo. Lá, alugou uma casa e fez dela uma pensão ― para ter um lar, mas também uma forma de renda. E foi naquele local que iniciou um serviço de apoio a LGBTs expulsos de casa e também de soropositivos.

 

Na década de 80, ainda se conhecia pouco sobre os efeitos da aids, na mesma proporção que a infecção pela doença crescia. Pensando em dar acolhimento à população mais vulnerável contaminada pela doença, a ativista criou a “Casa de Apoio Brenda Lee”, que ficou popularmente conhecida como “a casa das princesas”.

De início, o local começou a funcionar com poucos pacientes e uma estrutura frágil. Com uma demanda grande, anos depois uma parceria com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e com o hospital Emílio Ribas foi firmada. Em conjunto, aprimoraram a forma de atender pacientes soropositivos, independentemente de gênero, sexo, orientação sexual e etnia.

Uma história interrompida

JULIO PEREIRA via Getty Images
Rebecca, travesti soropositiva, brinca com a enfermeira Zilfa dos Santos em quarto da Casa Brenda Lee. À direita, Lee sorri ao ver Rebeca.

Aos 48 anos, no auge de seu projeto, Brenda foi assassinada. Em 28 de maio de 1996, ela foi encontrada morta no interior de uma Kombi, que estava estacionada em um terreno baldio, com tiros na região da boca e no peitoral.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o crime teria sido motivado por um golpe financeiro cometido por um funcionário da ativista que, quando interrogado, alegou que era assediado por ela. Em junho de 1996, os irmãos Gilmar Dantas Felismino e José Rogério de Araújo Felismino foram presos pelo crime.  

A partir deste momento, a história da Casa foi interrompida. Em 2008, foi criado o “Prêmio Brenda Lee”, que contempla personalidades que se destacam na luta contra o HIV e prevenção da aids. Só há 3 anos, em 2016, a ONG foi totalmente reaberta.

Hoje, o espaço mantém os mesmos serviços do passado e é reconhecido como “uma ação histórica de enfrentamento ao preconceito contra pessoas soropositivas”, além de manter viva a memória de Brenda Lee que era considerada uma verdadeira protetora da população LGBT em São Paulo.