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09/08/2020 19:04 -03 | Atualizado 09/08/2020 19:06 -03

Número de mortos por Covid ultrapassa 101 mil no Brasil e Bolsonaro culpa Globo

Presidente, que não havia se pronunciado sobre 100 mil vítimas, disse 'lamentar cada morte, seja qual for a sua causa, como a dos 3 policiais militares executados em SP'.

NELSON ALMEIDA via Getty Images
“Não faltaram recursos, equipamentos e medicamentos para estados e municípios", disse Bolsonaro.

O número de mortos pela covid-19 no Brasil chegou a 101.049 neste domingo (9), de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. O número de casos em todo país foi para 3.035.422.

Foram 572 confirmações de mortes e 23.010 de casos nas últimas 24 horas. Os números do domingo geralmente são menores que do restante da semana, já que o registro nos estados fica comprometido.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 25.114 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 14.080, Ceará (7.954), Pernambuco (6.941) e Pará (5.885).

Neste domingo, um dia depois de o Brasil atingir a triste marca dos 100 mil mortos, o presidente Jair Bolsonaro rompeu o silêncio sobre as vítimas e disse “lamentar cada morte, seja qual for a sua causa, como a dos 3 bravos policiais militares executados em São Paulo”.

“Não faltaram recursos, equipamentos e medicamentos para estados e municípios. Não se tem notícias, ou seriam raras, de filas em hospitais por falta de leitos UTIs ou respiradores”, escreveu em seu perfil em redes sociais.

Bolsonaro ainda usou uma matéria do tabloide britânico Daily Mail para fazer uma comparação errônea com o Brasil. A reportagem mostrava que 16 mil pessoas – ou dois terços dos 25 mil mortos por covid-19 – morreram porque não tiveram atendimento para outras doenças por causa da pandemia.

“Conclui-se que o lockdown matou 2 pessoas pra cada 3 de Covid no Reino Unido. No Brasil, mesmo ainda sem dados oficiais, os números não seriam muito diferentes”, escreveu Bolsonaro, que sempre se posicionou contra o isolamento por questões econômicas.

Bolsonaro culpa Globo por ‘mortes que poderiam ter sido evitadas’

O presidente, no entanto, gastou mais “tuítes” atacando a rede Globo – sem citá-la nominalmente – do que se dirigindo aos familiares das vítimas. Segundo Bolsonaro, a emissora “só espalhou o pânico na população e a discórdia entre os Poderes”, festejou as 100 mil mortes “como uma verdadeira final da Copa do Mundo” e fez “uso político da Covid” que trouxe “mortes que poderiam ter sido evitadas”.

“Essa mesma rede de TV desdenhou, debochou e desestimulou o uso da Hidroxicloroquina que, mesmo não tendo ainda comprovação científica, salvou a minha vida e, como relatos, a de milhares de brasileiros”, disse, também sem haver qualquer evidência de que a medicação tenha sido a responsável pela melhora do seu quadro.

No sábado (8), o Jornal Nacional fez um contundente editorial lembrando declarações do presidente que minimizaram a pandemia e as mortes por covid e cobrando Bolsonaro pelas 100 mil mortes.

No sábado, dia em que o País atingiu 100 mil mortos, Bolsonaro não só não se manifestou sobre as vítimas, como usou o Facebook para fazer uma postagem parabenizando seu time de futebol, o Palmeiras, por vencer o Campeonato Paulista.

Coube ao ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, lamentar, em nota, a marca de mais 100 mil mortes por covid-19.

“Não se trata de números, planilhas ou estatísticas, mas de vidas perdidas que afetam famílias, amigos e atingem o entorno do convívio social”.

O documento diz ainda que o ministério permanece trabalhando durante 24 horas, em parceria com estados e municípios, para garantir que não faltem recursos, leitos, medicamentos e apoio às equipes de saúde.

Pazuello lembra que, a qualquer sinal ou sintoma da doença, as pessoas procurem imediatamente a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua casa. “A ida ao médico, o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento, com a prescrição do medicamento mais adequado a cada caso, é o que pode sim fazer a diferença”, disse.

O Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial de casos e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os 2 países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 5 milhões de casos. A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - por sua vez, é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

O novo coronavírus já causou mais de 728 mil mortes no mundo. São cerca de 19,1 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins atualizados nesta sexta.

Com informações da Agência Brasil