NOTÍCIAS
06/05/2020 19:24 -03

Brasil ultrapassa 8,5 mil mortes por covid-19 e já é 6º país com mais mortos

Foi mais um recorde de óbitos confirmados em 24 horas — 615. País tem mais de 125 mil casos.

O número de mortes causadas pela covid-19 no Brasil chegou a 8.536, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde às 19h desta quarta-feira (6). Em relação ao balanço divulgado às 19h desta terça-feira (5), foram 615 novos óbitos confirmados, mais um recorde em 24 horas.

De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, 140 dessas mortes foram só nos últimos 3 dias — 11 hoje, 70 no dia 5 de maio e 59 no dia 4.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 10.503 novos casos, crescimento de 9%. Ao todo, os diagnósticos confirmados no Brasil somam 125.218.

O maior número de diagnósticos positivos no balanço mais recente está no estado de São Paulo, com 3.045 óbitos e 37.853 casos. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 1.205 mortes, depois Ceará (848), Pernambuco (803) e Amazonas (751).

Há uma escalada no avanço da pandemia nos últimos dias. Em 28 de abril, eram 474 mortes em 24 horas. Nesta terça (6), o recorde diário passou para 600. O patamar seguiu alto nesse período. O total de óbitos confirmados entre 28 de abril e 3 de maio foi de 2.482. 

Após o volume expressivo de mortes em 24 horas no dia 28, o ministro da Saúde, Nelson Teich, reconheceu o agravamento da crise sanitária, mas não anunciou qualquer ação específica. Dois dias depois, ele disse que a política pública não mudaria em função do número de mortes.

A expectativa é que o número atual de óbitos seja ainda maior devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no resultado de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 3,7 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 262 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta quarta-feira (6). O Brasil está em 9º lugar no mundo no número de casos e no 6º lugar no número de óbitos.

ASSOCIATED PRESS
Apear da escalada do número de mortes, ministro da saúde disse em 30 de abril que a política pública não mudaria por esse motivo.

Fila única de leitos

Nesta quarta, foram habilitados 592 leitos para pacientes de covid-19 em 16 estados, de acordo com o ministro. Desse total, 10 foram para Amazonas, que passou a ter 110 leitos habilitados pela pasta até o momento. “Foi importante ter visitado Manaus. Ver a situação local”, disse Teich em coletiva de imprensa com ministros.

O ministro esteve na cidade entre o último domingo (3) e segunda-feira (4). Manaus concentra todos os leitos de UTI (unidade de tratamento intensivo) do estado cujo sistema de saúde entrou em colapso há 3 semanas. Teich prometeu visitar outros municípios, mas não informou quais.

Questionado sobra a adoção de uma fila única para leitos de UTI, Teich falou que a discussão na verdade é sobre incorporar leitos do serviço privado. “Tenho de estudar com muito cuidado porque tem implicações que vão além deste momento. A gente pode negociar contratação de leitos, vai ter reunião com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)”, disse. “A forma como isso vai ser feito pode ter implicações muito grandes do que vai acontecer depois porque, se isso gerar um insegurança para aqueles que trabalham nos hospitais privados, pode ser muito ruim no longo prazo”, completou.

Em coletiva de imprensa com a equipe técnica, Teich afirmou que essa questão deve ser feita por acordo e não imposição. “Não é admissível que pessoas morram quando elas podem ser salvas”, completou.

Lockdown e campanha sobre isolamento

Quanto à adoção do lockdown em algumas cidades, Teich voltou a criticar a politização sobre o tema. Ele disse que medidas de isolamento devem ser avaliadas localmente. ’Preciso que a gente pare de tratar isso de forma radical”, disse. “Se você tiver uma situação onde tem alta incidência da doença, infraestrutura baixa, vê a doença crescendo, você vai buscar um distanciamento [social] cada vez maior. Isso é o extremo da gravidade da situação”, explicou.

O ministro confirmou que a pasta irá lançar uma campanha de comunicação para promover o isolamento social, mas não informou quando. De acordo com ele, o conteúdo irá depender da região. “A gente vai rever nossa parte publicitária no sentido de informação para a sociedade. Foi uma solicitação do presidente [Jair Bolsonaro] e que eu falei com ele que a gente vai fazer”, disse.

Estudos sobre cloroquina

De acordo com o ministro da Saúde, na madrugada desta quarta para quinta-feira (7), um comitê independente australiano deve concluir uma avaliação preliminar sobre um estudo conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein a respeito do uso da hidroxicloroquina — medicamento análogo à cloroquina. “A gente vai poder ter uma informação preliminar sobre segurança e algum nível de efetividade [do remédio]”, disse.

O ministro lembrou que apesar de autorizar o uso da droga para casos moderados e graves, a pasta não faz recomendação oficial. De acordo com ele, o ministério “está desenhando outros estudos com drogas mais promissoras”.

Embora não exista comprovação científica de uso seguro da cloroquina para combater a covid-19, o emprego do medicamento tem sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Teich também afirmou que a pasta tem conversado com laboratórios que podem vir a produzir uma vacina para o novo coronavírus “para que a gente consiga garantir que caso surja um vacina, o Brasil tenha uma cota”, disse, em referência a insumos para produzir a vacina. 

Do momento em que é elaborada uma vacina até ela poder ser aplicada à população, a demora é de ao menos 18 meses, de acordo com a comunidade científica.