NOTÍCIAS
27/08/2019 21:47 -03 | Atualizado 27/08/2019 22:00 -03

Depois de minimizar ajuda para Amazônia, Brasil diz que ‘não rasga dinheiro’

"O governo está aberto a receber suporte financeiro. Esse dinheiro terá governança total do povo brasileiro", diz porta-voz da Presidência.

Adriano Machado / Reuters
Brazil's President Jair Bolsonaro speaks during the Brazilian Steel Conference in Brasilia, Brazil, August 21, 2019. REUTERS/Adriano Machado

O governo brasileiro está aberto a receber recursos de países e organismos internacionais no combate a queimadas e ao desmatamento da Amazônia desde que o país tenha autonomia plena na gestão desses recursos, afirmou na noite desta terça-feira o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros.

“O governo brasileiro, por meio do presidente, está aberto a receber suporte financeiro de organizações e países. Esse dinheiro, ao adentrar no país, terá governança total do povo brasileiro”, disse ele, em briefing no Palácio do Planalto. “Esses apoios e esses recursos financeiros devem ser acolhidos pelo governo brasileiro. E pelo governo brasileiro, pela governança brasileira, ser empregados.”

O Brasil está sendo alvo de forte pressão internacional após o aumento ―registrado por dados oficiais do próprio governo― no número de queimadas neste mês de agosto.

Mesmo perguntado diversas vezes, o porta-voz não foi explícito sobre a fala mais cedo do presidente Jair Bolsonaro de que aceitaria os recursos do G7 se o presidente francês, Emmanuel Macron, pedisse desculpas por tê-lo chamado de mentiroso. Em uma das vezes, Barros disse apenas que “comentários exteriores a esse processo não vem a somar, vem apenas dividir”.

“O governo não rasga dinheiro, não. Não rasga e não rasgará. Rasgar dinheiro não é uma coisa adequada num governo que tem a austeridade como princípio maior. E essa austeridade vem sendo apresentada à sociedade, por meio das decisões do presidente da República”, disse.

Uma fonte diplomática disse à Reuters que o governo brasileiro aceitou na terça-feira uma oferta do Reino Unido de 10 milhões de libras em ajuda para combater os incêndios na Amazônia. A fonte acrescentou que o chanceler Ernesto Araújo conversou com o secretário de Relações Exteriores britânico, Dominic Raab, que fez a oferta de ajuda.

A assessoria de imprensa do Planalto não estava imediatamente disponível para comentar a informação.

Além da troca de farpas com o presidente francês, governo brasileiro tem minimizado nos últimos meses ajuda internacional. Tanto a Noruega quanto a Alemanha congelaram investimentos na preservação da Amazônia e ouviram o mesmo argumento de Bolsonaro: “O Brasil não precisa disso”. 

Ao governo norueguês, Bolsonaro sugeriu “pegar a grana” e ajudar “a Angela Merkel [chanceler alemã] a reflorestar a Alemanha”. Em relação aos 20 milhões de dólares oferecidos pelo G7, o ministro Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, afirmou que o dinheiro “talvez seja mais relevante para reflorestar a Europa”.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que diz ter um olhar mais técnico, no entanto, tem uma posição diferente. Em entrevista ao Roda Viva, na noite desta segunda, ele afirmou que a assistência oferecida pelo G7 “parece uma ajuda importante de ser aceita”.

Imagem Externa

No briefing aos jornalistas, o porta-voz reconheceu que o governo brasileiro está preocupado de que haja uma “desidratação” da imagem do país no exterior.

Segundo ele, por conta disso, Bolsonaro determinou a órgãos do governo que avancem na explicação à sociedade nacional e internacional que certos posicionamentos em relação a ações do país “não são corretos” e destacou que se está trabalhando para combater “essa narrativa” e “debelar essa crise”.