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29/08/2020 18:11 -03 | Atualizado 30/08/2020 19:30 -03

Brasil ultrapassa a marca de 120 mil mortes por covid-19

Em 8 de agosto, o País atingiu a marca de 100 mil mortes; 20 dias depois, chegou a 120 mil.

O Brasil ultrapassou neste sábado (29) a marca de 120 mil mortes por covid-19. Este novo marco foi atingido praticamente 20 dias depois o País ter alcançado 100 mil mortes, em 8 de agosto. De acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h, foram registrados 881 óbitos nas últimas 24 horas, totalizando 120.452. 

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 29.944 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 16.016, Ceará (8.382), Pernambuco (7.547) e Pará (6.109).

Quanto aos casos confirmados, o acumulado é de 3.844.807, sendo 32.202 notificados nas últimas 24 horas.

Na comparação internacional, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os dois países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 5,8 milhões de casos. A diferença entre as taxas de testagem entre os dois países - mais de 30 mil testes por milhão de habitantes nos EUA e menos de 10 mil por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil passou da 10ª para 9ª posição no ranking de diagnósticos, com 17.487,61 casos por milhão de habitantes, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). O país é o 10º em relação aos óbitos, com 553,56 por milhão de habitantes. 

O novo coronavírus já causou mais de 833 mil mortes no mundo. São cerca de 24,5 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados nesta sexta.

Internações seguem altas

De acordo com o Boletim InfoGripe mais recente, com dados de 16 a 22 de agosto, no cenário nacional, as internações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) seguem em nível muito alto, considerado zona de risco. Há, contudo, uma tendência de queda em geral. Foram registrados 391.057  hospitalizações em 2020. Entre aquelas com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, em 97,3% era SARS-CoV-2.

“A presente atualização dos dados indica manutenção do sinal de queda do número de novos casos semanais no país, após a retomada do crescimento no mês de junho, podendo ter atingido valor semanal superior ao pico observado em maio”, diz o documento.

Por outro lado, a publicação destaca que “os valores semanais ainda encontam-se muito acima do nível de casos considerado muito alto” e que a situação nas regiões e estados é “bastante heterogênea”, de modo que o dado nacional “não é um bom indicador para definição de ações locais”.

Ricardo Moraes / reuters
A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, o marco tem sido alcançado com frequência.

Na análise das capitais, aquelas com longo período de queda com tendência de estabilidade “requerem atenção especial para evitar uma possível retomada do crescimento”, como observado em semanas anteriores em Belém (PA), Macapá (AM), Maceió (AL), Recife (PE), São Luís (MA) e Rio de Janeiro. A publicação também aponta tendência de alta no longo prazo para Maceió, João Pessoa (PB) e Palmas (TO).

Na comparação entre as unidades da Federação, em 15 delas, há ao menos uma macrorregião do estado com tendência de curto e ou longo prazo de crescimento. São elas: Amapá, Pará, Tocantins, Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato-Grosso do Sul e Paraná.

Taxa de transmissão

A percepção de uma melhora na situação da circulação no Brasil de acordo com o monitoramento feito pelo Imperial College London mudou nesta semana. De acordo com o relatório mais recente, com dados até o último domingo (23), o País voltou ao patamar de 1 na taxa de transmissão (Rt). Nesse nível, cada infectado transmite a doença para uma pessoa, mantendo constante o contágio.

Na semana anterior, pela primeira vez desde abril, a taxa estava menor do que 1, em 0,98. Isso significa que 100 pessoas contaminadas contagiam outras 98 que, por sua vez, passam a doença para outras 96.

O indicador é nacional e devido à dimensão continental do Brasil, muitos estados e municípios ainda registro crescimento mais acelerado da transmissão.

O Imperial College calcula a taxa com base no número de mortes reportadas, mas há um intervalo entre o momento do óbito e o registro oficial que pode chegar a até 30 dias.

A análise coincide com o boletim semanal do Ministério da Saúde. De acordo com os dados mais recentes, publicados nesta quarta, a média diária de óbitos na última semana analisada - encerrada em 22 de agosto - foi de 1.003, nível um pouco acima das semanas anteriores.

Após duas semanas com indicador abaixo de mil, o País voltou a atingir a marca. A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, o marco tem sido alcançado com frequência.

O próprio boletim do Ministério da Saúde aponta diferenças na transmissão do vírus nas 5 regiões do País. Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas, na região Sul, houve redução nos casos (-17%) e mortes (-8%). No Sudeste, os casos reduziram em 15%, mas as mortes aumentaram em 8%. No Centro-Oeste, também houve redução nos casos (-11%) e aumento nas mortes (+17%)

No Norte, houve estabilização nos casos, com aumento de 2%, e incremento de 9% nos óbitos. No Nordeste, houve redução nos casos e nas mortes, de 14% e 5%, respectivamente. O cenário, contudo, também é muito diverso de um estado para o outro.  

Desde meados de maio, quando olhamos os dados acumulados nacionais, os gráficos epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes acumulados.