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29/04/2020 20:26 -03

Lado a lado, Braga Netto e Guedes tentam transmitir normalidade e acalmar investidores

Ministros falaram em "mal entendido" após notícias de desentendimentos entre equipe à frente do Plano Pró-Brasil e ala econômica.

Alan Santos/PR
Ministros falaram em "mla entendido" após notícias de desentendimentos entre equipe à frente do Plano pró-Brasil e ala econômica.

Desavenças internas na equipe ministerial tem abalado o mercado financeiro e gerado desconfiança em investidores desde semana passada. Nesta quarta-feira (29), dois dos principais ministros do governo Jair Bolsonaro, o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, e o da Economia, Paulo Guedes, apareceram lado a lado numa tentativa de aparentar normalidade e negar o que se fala nos bastidores: há desentendimentos sobre a condução de programas de governo. 

A Casa Civil apresentou semana passada o que chamou de “Plano Pró-Brasil”, afirmando se tratar de um programa de retomada do crescimento econômico após a superação da pandemia do coronavírus. 

Além de Braga Netto, os demais patrocinadores são os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. O chefe da Economia, porém, não estava presidente. Questionado sobre a ausência de Paulo Guedes no evento, o general Braga Netto se esquivou e disse que os ministérios estão todos integrados. 

No entanto, é público que há divergências de entendimento sobre o programa. Enquanto os entusiastas dele defendem investimentos, a equipe de Guedes prega o corte de gastos. Semana passada, foi estimado gasto de aproximadamente R$ 200 bilhões. 

Esses investimentos em obras públicas fazem parte de reivindicações do centrão, grupo que o presidente Jair Bolsonaro tem se aproximado para formar uma base de apoio no Congresso. Ele vem conversando com partidos como PP, PL, Republicanos, DEM, PSD, MDB e Solidariedade e tem prometido cargos em esferas da União em troca de apoio. 

O desconforto interno entre a equipe palaciana, que auxilia nas negociações com o centrão, e esse grupo da economia tem causado reflexos nos números da economia brasileira. No dia em que Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça, na sexta (24), o dólar chegou a R$ 5,66. A bolsa caiu 5,46% naquele dia. O agravante foi o temor de uma saída de Paulo Guedes.  

Na segunda (27), o presidente Jair Bolsonaro fez um tentativa de normalizar a situação. Em frente ao Alvorada, ele afirmou que “quem manda na economia é o Guedes”. 

Nesta quarta, o Planalto decidiu que era hora de Braga Netto e Guedes aparecerem juntos para afirmar normalidade, negar desentendimentos e dizerem que a economia segue liderada pelo ministro da pasta. 

E assim o fez o chefe da Casa Civil em um discurso previamente ensaiado: “Quem dá caminho é a Economia e o presidente da República”.  

Guedes também disse se tratar de um “mal entendido”. Mencionou o colega de Esplanada Tarcísio Gomes, da Infraestrutura, em sua fala. Mandou, porém, indiretas a “outro ministro”, falando que quem quer ampliar gastos públicos quer “bater carteira” do governo. A fala foi entendida como um recado ao outro gestor do Plano Pró-Brasil, o ministro Rogério Marinho. 

As desavenças entre os dois são antigas. Quando Marinho ainda estava na secretaria especial da Previdência Social, portanto subordinado à Economia, o ministro se ressentia por muitas vezes do protagonismo do ex-deputado. 

Durante a tramitação da reforma da Previdência no Congresso, Rogério Marinho teve papel fundamental na negociação com deputados e senadores. Seu histórico no Congresso lhe deu traquejo político para enfrentar esse tipo de jornada, o que, comentam parlamentares, falta a Guedes. Tanto é que, volta e meia, o ministro da Economia se desentende com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - no momento, por exemplo, eles estão sem se falar.   

Na semana passada, quando se falava que Guedes poderia deixar o governo, o nome de Marinho já era um dos mencionados como possibilidade para a vaga dele nos bastidores. 

Nos corredores do Planalto, do Congresso e do Ministério da Economia é que a questão não está solucionada. Mas a saída de Moro deu sobrevida a Paulo Guedes. Bolsonaro não está disposto a perder mais um dos tripés de seu governo e, por isso, sua ordem é “pegar leve” e “não contrariar demais”, conforme interlocutores palacianos. 

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