OPINIÃO
14/02/2019 02:00 -02 | Atualizado 14/02/2019 09:36 -02

'Boneca Russa', a nova série da Netflix que vai arrebatar você

Série conta com 100% de roteiristas e diretoras mulheres — um verdadeiro marco!

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Natasha Lyonne, de Orange is the New Black é a protagonista e uma das criadoras de Boneca Russa.

À primeira vista, Boneca Russa — nova série da Netflix lançada no dia 1º de fevereiro — não parece lá uma grande novidade. Sua premissa é bem simples e utiliza o batido recurso do paradoxo temporal para contar uma história de redenção, mesmo recurso usado por inúmeros filmes, como Feitiço do Tempo, Efeito Borboleta ou No Limite do Amanhã, por exemplo.

Os 2 primeiros episódios, que servem apenas para nos apresentar a protagonista Nadia Vulvokov (Natasha Lyonne, a Nicky Nichols, de Orange Is the New Black) e seu “problema”, podem passar essa impressão. Mas a partir do 3º episódio somos apresentados a uma reviravolta essencial para a mudança de rumo da história, que dá profundidade à trama totalmente inesperada.

Nadia comemora seus 36 anos em uma festa dada no descolado apartamento de uma amiga. Mulher independente, com uma quedinha por drogas e péssimo gosto para homens, Nadia está preocupada com o sumiço de seu gato, Aveia.

Ao sair da festa para procurá-lo nas imediações, acaba morrendo atropelada. A morte, porém, não é o fim para ela, que “acorda” no mesmo banheiro do apartamento onde acontece sua festa de aniversário.  

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Nadia Vulvokov é a personagem que morreu atropelada após sua festa de 36 anos.

Criação da própria Lyonne junto com Amy Poehler e Leslye Headland, Boneca Russa usa o ritmo acelerado bem característico das comédias televisivas para nos fazer refletir sobre como o extremo individualismo do mundo moderno transforma nossas vidas em um motor de solidão, mesmo cercado por pessoas por todos os lados.

A adoção de Nova York como ambiente para a história e de nova-iorquinos como seus personagens não poderia ser mais adequada. Nadia e sua “novaiorquinice” é tão chata e metida no começo que recomenda-se paciência ao espectador. Mas esse caminho mostra-se extremamente necessário, já que no decorrer da trama vamos inexplicavelmente nos afeiçoando àquele ser irritante.

Mas por quê? Por que Boneca Russa, diferentemente dos outros exemplos relacionados anteriormente aqui no texto, não está falando simplesmente sobre as consequências dos caminhos que tomamos em nossas vidas como indivíduos — mas como a forma de nos relacionarmos com as pessoas, sejam elas amigos, familiares ou estranhos, é que influencia de forma decisiva nossos destinos.

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As mulheres estão definitivamente no comando de Boneca Russa.

Outro ponto importante e bem relevante é a forma com que a série trata as mulheres. É sempre bom ver mulheres falando sobre mulheres, e Boneca Russa é um bom exemplo disso. Além de suas criadoras, a produção é toda composta por mulheres. Todos os 8 episódios (que variam entre apenas 25 e 27 minutos de duração) são escritos e dirigidos por mulheres. E isso é incrível! Só para se ter uma ideia, segundo o último levantamento do Center for the Study of Women in Television and Film, dos top 100 filmes produzidos nos EUA em 2018, 15% foram escrito por mulheres e irrisórios 4% dirigido por elas.

Se isso ainda não te convenceu a largar tudo e ver Boneca Russa agora, a trilha sonora é simplesmente espetacular. Clássicos como Gotta Get Up, de Harry Nilsson (que vai grudar na sua cabeça por semanas, acredite); Alone Again Or, hino existencial do incrível álbum Forever Changes, da banda Love; e o chiclete oitentista The Promise, do When in Rome; além de canções mais modernas, como I Got to Sleep, de Anika; Morning After, parceria de Ariel Pink com Weyes Blood, entre outras.

“Todas as escolhas para música foram realmente muito importantes para mim, e algo que passei muito tempo tentando tornar uma experiência agradável para as pessoas”, disse Lyonne à Indiewire.

E aí, está esperando o quê?