COMPORTAMENTO
19/03/2019 18:18 -03 | Atualizado 19/03/2019 21:14 -03

Por que você não deveria compartilhar vídeos ou imagens da boneca Momo

A preocupação dos adultos está refletida no aumento das buscas relacionadas a Momo.

Desde de o final de 2018, a imagem de uma boneca com olhos grandes e assustadores, cabelos pretos e longos, tem chamado a atenção da imprensa nacional e internacional. 

Mas desde fevereiro, a boneca Momo, como a imagem é conhecida, voltou aos holofotes. Isso porque foram compartilhadas denúncias de que a imagem estaria burlando os algoritmos de filtros do Youtube Kids ao ser usada para ameaçar crianças e adolescentes.

Em relatos publicados nas redes sociais e jornais, a boneca teria transmitido instruções de automutilação e suicídio para jovens por meio de aparições em vídeos na plataforma. As ameaças, que antes circularam como estratégia de roubo de dados por criminosos via Whatsapp, também estariam acontecendo via comando de voz em jogos populares entre os pequenos, como Minecraft e Fortnite.

ipeggas via Getty Images
Ministério Público da Bahia (MP-BA) notificou o Google e o WhatsApp para que imagens da boneca sejam retiradas das plataformas.

 

Não há relatos até então de crianças que tenham sido influenciadas a participar de um “desafio da Momo” ou que teriam sido levadas a cometer suicídio por conta da imagem. Contudo, isso não impediu que pais e familiares alertassem autoridades para o perigo iminente.

Na tarde da última segunda-feira (18), o Ministério Público da Bahia (MP-BA) notificou o Google e o WhatsApp para que removam das redes sociais conteúdos que exibam imagens da boneca. A notificação foi feita por meio do Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos (Nucciber).

Até mesmo a socialite Kim Kardashian usou seu perfil nas redes sociais para alertar a empresa e os seus seguidores do que estava acontecendo. “Monitorem o que seus filhos andam assistindo”, defendeu.

Em entrevista a revista Crescer, o gerente de comunicação do YouTube na América Latina, Cauã Taborda, afirmou que os filtros da plataforma voltada para crianças jamais permitiram a veiculação de conteúdos ofensivos.

Ele explicou que além dos algoritmos, o Youtube conta com cerca de 10 mil profissionais que fazem a curadoria dos vídeos que são compartilhados.

“Para que um hacker ou qualquer pessoa mal intencionada possa fazer uma alteração grave dessas nos vídeos já existentes, seria necessário que ela retirasse o vídeo do ar e fizesse novamente o upload no aplicativo. Mas ainda assim ele seria barrado.”

Em nota, a empresa explicou que o “desafio da Momo” viola as políticas de uso e seria removido imediatamente da plataforma. A companhia também diz que não identificou nenhuma evidência de vídeos recentes promovendo a boneca.  

“Depois de muita análise, não vimos nenhuma evidência recente de vídeos promovendo o Desafio Momo no YouTube. Apesar dos relatos da imprensa sobre esse desafio, não tivemos links recentes sinalizados ou compartilhados conosco do YouTube que violem nossas Diretrizes da comunidade.”

A plataforma, ainda, incentivou aos usuários a denunciarem o conteúdo tanto no Youtube Kids quanto no Youtube. 

“É possível que a figura chamada de ‘Momo’ apareça em vídeos no YouTube, mas somente naqueles que ofereçam um contexto sobre o ocorrido e estejam de acordo com nossas políticas”, diz o comunicado.  

Por que você não deveria compartilhar vídeos da ‘Momo’ 

A preocupação dos adultos está refletida no aumento substancial das buscas relacionadas a Momo. Nas últimas semanas, o termo aparece como destaque nas tendências de buscas online.

O que poucos adultos devem ter consciência, no entanto, é que quanto mais se pesquisa sobre o termo, mais esse tipo de conteúdo é impulsionado nas redes. 

Isso acontece porque os algoritmos de relevância identificam um crescimento no interesse sobre o tema e passam a classificar os conteúdos como “mais importantes”.

Com isso, também cresce as chances de que vídeos da Momo se torne mais acessível para as crianças.

Por exemplo, se uma criança buscar no Google sobre “vídeos de slime” e o termo “boneca Momo” estiver associado a ele, é maior a probabilidade de que uma criança tenha acesso aos vídeos sobre o desafio.

Em vez de compartilhar vídeos e imagens sobre o tema, especialistas recomendam que os pais e responsáveis tenham conversas francas e abertas com as crianças.   

De acordo com Maria Carolina Avis, professora e especialista em marketing digital, caso algo estranho aconteça durante o uso da plataforma pelas crianças, o ideal é denunciar o conteúdo.

“Peça para a criança pausar o vídeo e tirar um print (captura) da tela que se ela vir a imagem da Momo. Depois, denuncie o vídeo”, orienta a especialista.

Avis ainda orienta que, em alguns casos, o melhor é fazer o download do vídeo e, assim, tirar as crianças do acesso à internet.

“A ideia é desconectar as crianças das redes e permitir que assistam a apenas os vídeos off-line. Assim, nenhum tipo de anúncio vai interromper a exibição do vídeo”, aponta.

Quem é a boneca Momo?

Tudo não passa de uma lenda. A boneca Momo é inspirada em uma escultura japonesa do artista Keisuke Aiso, que foi intitulada de “Mãe Pássaro” e exibida no Museu Vanilla Gallery, em Tóquio.

Em entrevista ao jornal britânico The Sun, o artista admitiu que pensou na escultura para assustar as pessoas, já que foi inspirada em uma lenda sobre uma mulher que morre e retorna para assombrar o local em que nasceu.

Mas Aiso disse que jamais imaginou que a imagem seria usada para incentivar a violência entre os jovens.

“Não existe mais, nunca foi feita para durar. Estava podre e eu joguei fora”, afirmou explicando o descarte da obra. 

“As crianças podem ter certeza de que Momo está morta - ela não existe e a maldição se foi”, tranquilizou o artista.

*Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 141, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar redes de apoio disponíveis.

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