ENTRETENIMENTO
29/07/2019 20:05 -03 | Atualizado 04/08/2019 21:17 -03

'Bom Sucesso': Antonio Fagundes fala sobre vida, morte e o valor da leitura

Na nova novela da Globo, o ator veterano interpreta o dono de uma editora em crise que é surpreendido com o diagnóstico de uma doença terminal.

Antonio Fagundes vive Alberto Prado Monteiro em Bom Sucesso, nova novela das 7 da TV Globo, que estreia nesta segunda-feira (29). O ator de 70 anos interpreta o dono de uma grande editora que começa a enfrentar crise após mudanças no mercado. Nesse contexto, Alberto é surpreendido de maneira inusitada com o diagnóstico de uma doença terminal, que faz com que ele redescubra pequenos prazeres da vida ao lado de Paloma (Grazi Massafera).

Em entrevista em vídeo ao HuffPost (veja acima), o ator disse que, apesar de abordar a questão da morte, é a vida o tema central do folhetim de Rosane Svartman e Paulo Halm. O ator contou também que, durante os estudos iniciais para a novela, o elenco fez a leitura de A Morte é um Dia Que Vale a Pena Viver, da médica especialista em cuidados paliativos Ana Claudia Arantes.

“O livro diz que enquanto a gente estiver vivo, vale a pena curtir esse momento. A novela fala exatamente disso: uma pessoa que está com uma doença terminal, mas que quer viver até o último minuto da sua vida. Pra isso, ela se associa a uma outra pessoa cheia de vida”, explicou Fagundes. 

Leitor voraz, ele falou também falou sobre sua relação com os livros e a literatura e celebrou a presença desse universo na trama da novela. “Quando eu entrei no estúdio e vi a biblioteca do personagem, constatei que a minha é maior”, revelou. “Fiquei muito feliz de ver que essa novela está abordando realmente a literatura e a leitura como uma parte desse viver bem.”

Ao apresentar uma grande editora com problemas após erros de administração durante um período de intensas mudanças de mercado decorrentes de novidade tecnológicas, Bom Sucesso traz à tona um tema bastante atual no Brasil, cujo mercado editorial enfrenta severa crise.

“Estamos em um período de transição, no sentido de que esses novos veículos [artefatos tecnológicos] podem vir a destruir a leitura”, acredita Fagundes. “E isso é um problema que a gente tem que estar atento. A leitura não pode ser destruída nunca”, completou. 

Para o ator, “nada substitui a leitura” quando o assunto é aprendizado. “O conhecimento que esse aparelhinho [o smartphone] dá pra gente é rápido e ligeiro. E acaba ocasionando uma coisa que a gente acaba chamando de ‘exteligência’”, explica, referindo-se a um conceito relacionado ao conhecido que começou a ser utilizado por especialistas a partir da década de 1990.

“A gente começa a depositar todo o nosso conhecimento nesse aparelhinho e tira do cérebro. E o cérebro não trabalha com o vazio. Ele vai encher com qualquer outra coisa. E eu não se as coisas que a gente está botando lá dentro agora são boas”, finalizou.