NOTÍCIAS
26/02/2020 11:15 -03 | Atualizado 26/02/2020 11:16 -03

Bolsonaro fala em 'mensagens de cunho pessoal' mas não rechaça pauta contra Congresso

Presidente compartilhou pelo WhatsApp vídeo convocando para manifestação contrária ao Congresso. Apoiadores dizem agora que ato é somente "pró-Bolsonaro".

Reprodução/ Twitter
Frame do vídeo divulgado pelo presidente pelo WhatsApp e que convoca para manifestação no dia 15 de março.

O presidente Jair Bolsonaro respondeu, pelo Twitter, na manhã desta quarta (26) à reportagem do jornal Estado de S. Paulo, que revelou que ele enviou por WhatsApp vídeos convocando para uma manifestação contra o Congresso. Bolsonaro disse ter “dezenas de amigos” com quem “troca mensagens de cunho pessoal”.

“Tenho 35Mi de seguidores em minhas mídias sociais, c/ notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”, escreveu.

Bolsonaro, contudo, não falou nada sobre uma das pautas alegadas para a manifestação do dia 15 de março ser “Fora Maia e Alcolumbre”, os presidentes das duas casas do Congresso. Há ainda quem divulgue a manifestação pedindo o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal). 

Nem ele e nem o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), cuja fala captada pelo Globo na transmissão de uma reunião ao vivo pela internet incendiou ainda mais os posts de convocação da manifestação.

“Nós não podemos aceitar esses caras [do Congresso] chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”, disse o ministro-chefe do GSI. 

No vídeo que Bolsonaro enviou pelo celular, segundo a colunista do Estado de S. Paulo Vera Magalhães, não há críticas diretas ao Congresso, ou menção a fechá-lo. Mas fala em “rejeitar os inimigos do Brasil”.

Em tom dramático e com trechos em preto e branco que mostram o momento em que Bolsonaro leva uma facada na campanha de 2018 e sua recuperação no hospital, o vídeo fala que o hoje presidente “quase morreu por nós” e pede “apoio nas ruas”.

O Planalto, em nenhum momento até agora, rejeitou a parte da pauta da manifestação contrária ao Congresso e em tom golpista. 

Coube ao general Santos Cruz, que já deixou o governo, classificar de “irresponsável” montagens com imagens de Heleno, do vice-presidente, Hamilton Mourão e de outros militares do governo, que falam que “os generais aguardam as ordens do povo” e pedem “Fora Maia e Alcolumbre”. 

“Exército - instituição de Estado, defesa da pátria e garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Não confundir o Exército com alguns assuntos temporários. O uso de imagens de generais é grotesco”, escreveu o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência.

Após a reportagem publicada pelo Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo confirmou com o ex-deputado federal Alberto Fraga (DF) que Bolsonaro enviou vídeo de convocação para a manifestação pelo celular.

“Eu recebi um vídeo, ele [presidente] me encaminhou. Mas não foi ele que fez o vídeo. Confesso que não entendi assim [como um incentivo]. Ele nunca fez esse tipo de pedido. Quem está fazendo isso são os bolsonarianos pelas redes sociais. Para mim, mesmo, ele não falou absolutamente nada”, disse Fraga, que é amigo pessoal do presidente, à Folha.

A reação de políticos foi imediata. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, no entanto, preferiram não se manifestar pelas redes sociais.