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30/03/2020 12:32 -03

Presidente dispara a aliados vídeo que questiona número de mortes por coronavírus

Gravação diz que número de mortes por covid-19 é drasticamente menor do que o divulgado pelas autoridades sanitárias.

Andressa Anholete via Getty Images
"Alguns vão morrer? Vão morrer. Lamento, lamento", diz Bolsonaro sobre a pandemia do novo coronavírus. 

O presidente Jair Bolsonaro disparou a aliados por WhatsApp um vídeo que questiona as mortes por coronavírus. Na primeira cena do vídeo, um italiano diz que a mortalidade da covid-19 é em parte motivada pela idade avançada dos cidadãos e em parte por um cálculo estatístico do número de doentes.

“É provável que algumas dessas mortes... não é como na Alemanha, onde todos os mortos são verificados um por um, algumas dessas mortes podem ser atribuídas ao coronavírus, sem que o coronavírus seja a causa direta da morte”, diz trecho do vídeo.

Em uma segunda parte, outra pessoa corrobora essa tese de que há um erro no cálculo de mortes por covid-19. “Numa reavaliação do Instituto Nacional de Saúde apenas 12% dos certificados de óbito mostram uma casualidade direta do coronavírus”, diz. “12%”, insiste. “Isso é insano! Isso significa que os italianos estão sobrestimando as duas mortes, em níveis insanos!”

Segundo ele, isso significa que “não estamos olhando para 8.165 mortes, mas em vez disso: 980 mortes”. A gravação reforça que esse índice é alinhado com o que é visto no resto do mundo. O vídeo também questiona se estão diferenciando as mortes por influenza e por covid-19.

O disparo do presidente endossa seu discurso. Não é a primeira vez que ele questiona a pandemia. Ele já questionou outras vezes o impacto da covid-19 na morte das pessoas, além de ter minimizado as mortes. “Alguns vão morrer? Vão morrer. Lamento, lamento. Essa é a vida, essa é a realidade. Não podemos para a fábrica de automóveis porque tem 60 mil mortes no trânsito no ano.”

Relatório do Instituto Nacional de Saúde da Itália, entretanto, não nega que as demais mortes tenham sido motivadas pela covid-19. Diz que 88% das vítimas já tinham alguma pré-morbidade — o que tem sido ressaltado pelo Ministério da Saúde. Essas pessoas fazem parte do grupo de risco idosos e pessoas com comorbidades.

De acordo com o relatório, entre os problemas mais comuns registrados como comodidade são pressão alta (76%), diabetes (36%) e cardiopatia isquemia (33%).

Até às 11h desta segunda-feira (30), há mais 737 mil infecções pelo novo coronavírus e mais de 35 mil mortes em todo mundo, de acordo com dados da universidade americana Johns Hopkins. A Itália é o país com mais número de mortes, passa de 10,7 mil.