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30/04/2019 15:00 -03 | Atualizado 30/04/2019 17:31 -03

Bolsonaro pede a países apoio a Guaidó para restabelecer 'normalidade' na Venezuela

Após reunião de emergência, presidente brasileiro convidou outros governos a apoiarem o líder venezuelano.

Ueslei Marcelino / Reuters
O Brasil, assim como os Estados Unidos, apoiam o presidente autodeclarado Juan Guaidó.

Após reunião de emergência no Palácio do Planalto nesta terça-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro convidou outros líderes a apoiarem a tentativa de JuanGuaidó, presidente autodeclarado da Venezuela, para derrubar o ditador NicolásMaduro do poder.

Em nota, o porta-voz do governo, general Otávio do Rêgo Barros, reafirmou que o Brasil acompanha com “grande atenção” a situação das manifestações na capital venezuelana.

“Exortamos todos os países, identificados com os ideais de liberdade, para que se coloquem ao lado do presidente encarregado Juan Guaidó na busca de uma solução que ponha fim na ditadura de Maduro, bem como restabeleça a normalidade institucional na Venezuela”, diz o texto.

Mais cedo, Bolsonaro publicou no Twitter que apoia a “transição democrática que se processa no país vizinho.”

 

Para o vice-presidente, general Hamilton Mourão, a tentativa de deposição de Nicolás Maduro ”é um caminho irreversível”.

“Não tem mais volta. As pontes foram queimadas”, afirmou Mourão em entrevista a Folha

De acordo com o general da reserva, o movimento de Guiadó é um sinal que a oposição partiu para “o tudo ou nada”. 

“Ninguém faz isso se não tem uma carta na manga”, ponderou. ​

Para o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, no entanto, há uma sensação de que o lado militar de Guaidó é fraco. 

“O que tem parecido é que esse apoio [dos militares] talvez tenha algum valor quantitativo, mas qualitativo ele ainda não foi expressado. Não teve nenhum chefe militar que a gente tenha assistido ou ouvido dando um apoio explícito ao presidente Guaidó”, disse. 

Na avaliação dele, não há expectativa de solução no curto prazo.

 

Entenda as manifestações na Venezuela

Juan Guiadó e Leopoldo López, líder oposicionista que estava em prisão domiciliar, convocaram a população às ruas na madrugada desta terça.

Guaidó afirmou que conta com apoio de militares dissidentes para retirar o ditador Nicolás Maduro do poder.

Maduro, entretanto, disse que conversou com chefes das Regiões de Defesa Integral (Redi) e das Zonas de Defesa Integral (Zodi) e que eles lhe garantiam “lealdade ao povo, à Constituição e à Pátria”.

Há registros de confrontos na capital entre os oposicionistas e os militares pró-Maduro. Imagens da televisão venezuelana mostram um carro blindado da Guarda Nacional, do regime de Maduro, atropelando manifestantes. 

Governos de outros países e órgão internacionais repercutiram a violência na Venezuela. Os presidentes da Bolívia e de Cuba condenaram a ação da oposição. Já o Brasil, Estados Unidos e a União Europeia apoiam Guaidó.

Em Caracas, Bolsonaro atendeu ao pedido de asilo político de 25 militares venezuelanos que estão na embaixada do Brasil na capital. 

Galeria de Fotos Guaidó convoca manifestantes e há confrontos em Caracas, na Venezuela Veja Fotos