POLÍTICA
12/03/2019 18:30 -03 | Atualizado 12/03/2019 18:30 -03

Em mais uma crise com ministro, Bolsonaro diz que o da Educação fica

“O ministério é do Velez. Que o enfie no cu”, escreveu o filósofo Olavo de Carvalho - que o indicou, mas agora o critica.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
"Não quero derrubar ministro nenhum", escreveu Olavo de Carvalho sobre Ricardo Vélez Rodríguez.

Menos de um mês após Gustavo Bebianno deixar a Secretaria-Geral, o governo federal tenta amenizar outra crise envolvendo um ministro - desta vez o da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Nesta terça-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro disse que o teólogo se mantém no cargo.

Questionado por jornalistas, Bolsonaro minimizou os ruídos na pasta. “Continua. Ele teve um problema com o primeiro homem dele, mas está resolvido”, respondeu nesta terça-feira (12), sem citar nomes, mas em referência a Tiago Tondinelli, chefe de gabinete do ministro e ex-aluno de Olavo de Carvalho, que foi exonerado na última segunda-feira (11).

O ministro, que no terceiro mês de governo ainda não apresentou propostas concretas, comemorou, pelo Twitter, a demonstração de apoio de Bolsonaro na tarde desta terça. Ele disse ainda que a prioridade é a “Lava Jato da Educação”.

Em 15 de fevereiro, Vélez e os ministros Sérgio Moro (Justiça), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e André Luiz Almeida Mendonça (Advocacia-Geral da União) assinaram um protocolo de intenções em que se comprometem com medidas relacionadas ao combate à corrupção no MEC.

A paralisia de ações da pasta e a má repercussão de iniciativas como o pedido para filmar crianças nas escolas cantando o hino nacional provocaram mudanças nos cargos nos últimos dias.

As trocas expuseram a disputa entre grupos de influência incluíndo militares, ideológicos e técnicos. Fragilizado, o ministro se reuniu com Bolsonaro na tarde de segunda-feira (11) e teve que cancelar uma viagem que faria para Israel nesta terça-feira (12).

 

Olavetes e militares brigam no MEC

Um ponto importante para entender as disputas no ministério é o papel do escritor e guru da direita Olavo de Carvalho. Olavo, que tem seguidores entre os filhos de Bolsonaro, foi quem indicou Vélez para o cargo, mas, nos últimos dias, tem usado suas contas em redes sociais para atacar o ministro.

Na madrugada do último dia 8, Olavo disse que todos os seus alunos e ex-alunos que ocupavam cargos no governo deveriam “abandoná-los o mais cedo possível e voltar à sua vida de estudos”. “O presente governo está repleto de inimigos do presidente e inimigos do povo, e andar em companhia desses pústulas só é bom para quem seja como eles.” 

No mesmo dia, foi publicada, no Diário Oficial, a exoneração de 5 integrantes do MEC. Nesta segunda-feira (11), foi a vez de outros 6 nomes. A lista inclui Tondinelli, chefe de gabinete do ministro, e Silvio Grimaldo de Camargo, assessor especial do ministro, ambos discípulos do escritor.

Grimaldo anunciou na semana passada que havia pedido exoneração porque não aceitaria ser deslocado para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). De acordo com ele, a nova função seria uma retaliação aos  “olavetes”, grupo considerado ideólogo.

O ex-assessor também atribui o envio da carta sobre o hino nacional nas escolas a Ricardo Wagner Roquetti, coronel que atuava como diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Educação e alvo de críticas do guru da nova direita. A área era chefiada por Luiz Tozi, desafeto de Olavo.

Tozi veio do Centro Paula Souza, rede de escolas técnicas e faculdades de tecnologia ligada ao governo de São Paulo. Ele foi apontado por seguidores de Olavo como “tucano” e “infiltrado” por supostamente se distanciar do perfil ideológico.

Nos últimos dias, o escritor tem intensificado críticas nas redes sociais aos militares no MEC. Em entrevista ao jornal O Globo na última sexta-feira, Olavo afirmou que há  “espertalhões” dentro do governo que estariam atuando para frear a “Lava-Jato da Educação”.

Nesta terça, o escritor negou, em seu perfil no Twitter, articulação para derrubar Vélez e escreveu que ”essa história de ‘guru ideológico do governo’ é uma lenda idiota inventada por repórteres ignorantes”.

“O ministério é do Velez. Que o enfie no cu”, escreveu o filósofo. 

No Facebook, o escritor assumiu a indicação do teólogo para integrar o governo Bolsonaro, mas negou influência dentro da pasta nos últimos meses.