LGBT
25/04/2019 19:00 -03 | Atualizado 25/04/2019 21:27 -03

'O Brasil não pode ser o país do turismo gay, temos famílias', diz Bolsonaro

Declaração do presidente foi dada em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (25).

Reuters
Presidente justificou que cancelamento de evento em Museu de NY tem a ver com o fato de ele ser conservador e criticar o “kit gay”.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil “não pode ser o País do turismo gay” porque “temos famílias”. A declaração foi dada em encontro com jornalistas no Palácio do Planalto, na manhã desta quinta-feira (25). 

De acordo com o Estadão, Bolsonaro abordou essa questão ao comentar a decisão do Museu Americano de História Natural, de Nova York, que se recusou a sediar evento realizado em sua homenagem.

“Eu recebo [a homenagem] na praia, numa praça pública”, disse. “Não é o museu que está me homenageando. O que houve foi pressão do governo local que é democrata e eu sou aliado do Donald Trump”, continuou.

A decisão do museu foi divulgada após a instituição ser pressionada, nas redes sociais, a não alugar o espaço para a premiação de Bolsonaro como “Pessoa do Ano” pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.

Nesta quinta, o presidente justificou que esse veto tem a ver com o fato de ele se identificar com pauta conservadora desde 2009, quando criticou o“kit gay”

“Em novembro de 2009 eu comecei a tomar pancada do mundo todo quando eu acusei o ‘kit gay’. Eu comecei a assumir essa pauta conservadora. Essa imagem de homofóbico ficou lá fora”, disse, ao argumentar que manter esta postura não é algo que prejudica investimentos externos no País.

O jornal relata que ele completou sua fala afirmando que, “o Brasil não pode ser um País do mundo gay, de turismo gay. Temos famílias”.

Segundo o Antagonista, que também estava presente no evento, o presidente afirmou que “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro.”

Ao falar de seu apoio a Trump, Bolsonaro fez críticas ao prefeito Bill de Blasio, que é democrata e pertence à oposição. Ele disse, segundo o Antagonista, que De Blasio está “tentando se cacifar para disputar as eleições”. 

Casamento, Mourão e Carlos Bolsonaro

ASSOCIATED PRESS
Em encontro com jornalistas, presidente Bolsonaro minimizou atritos com o vice-presidente, Hamilton Mourão, e crise com seu filho, Carlos.

Segundo o jornal Valor Econômico, que participou do evento no Planalto nesta quinta, Bolsonaro comparou a crise envolvendo Mourão e seu filho Carlos, vereador no Rio, a um casamento. “Estamos dormindo juntinhos a noite toda”, afirmou. “Durante o dia, brigamos sobre quem lava a louça”, completou.

A metáfora ligada ao matrimônio tem sido uma constante no repertório do presidente, que em diversos momentos já fez uso dela para explicar as dificuldades que tem com seus interlocutores políticos.

Em sua fala, ainda segundo o jornal, o presidente ainda sinalizou que, em uma possível reeleição, o atual vice fará parte de sua chapa. “O casamento entre eu e Mourão é até 2022, no mínimo; até lá, vamos ter que dormir juntos”, afirmou.