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20/03/2020 16:47 -03 | Atualizado 20/03/2020 18:26 -03

Bolsonaro diz que pode fazer novo teste para o coronavírus

Ele anunciou que 2 testes deram negativo, mas não divulgou exames. Com mais 4 confirmações, são 20 os casos de covid-19 na equipe que viajou com Bolsonaro aos EUA.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (20) que poderá ter que fazer mais um teste para o coronavírus. Mais quatro de seus auxiliares próximos tiveram teste positivo para a covid-19, elevando para 22 o número de pessoas contaminadas que fizeram parte da comitiva presidencial em viagem a Miami.

Bolsonaro já fez dois testes, nos dias 12 e 17 de março. Segundo ele, os dois resultados deram negativo, mas o exame, feito pelo pelo laboratório Sabin, em Brasília, e enviado ao Hospital das Forças Armadas (HFA), não foi divulgado. O diretor do HFA, general Rui Yutaka Matsuda, disse ao UOL que o resultado do exame é um documento pessoal e que quando o hospital recebe do laboratório Sabin o envelope vem lacrado.

“Não sei (se será divulgado). Isso é pessoal dele. Nem nós podemos (divulgar), porque quando mandamos para ele não sabemos. Mandamos num envelope lacrado e é ele que abre”, afirmou o general à coluna.

Em coletiva à imprensa esta tarde no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu a privacidade do chefe.

“Prontuários são da sua intimidade. A gente não faz divulgação do exame. Nem seu, nem meu, nem de ninguém. O médico assistente é o médico da Presidência. A ele é dado o timing e a maneira de monitorar. Se der positivo, todos estamos nesse negócio. Vai ter que fazer isolamento, ficar em casa como qualquer um de nós. Não é nenhum fim do mundo”, disse Mandetta. 

O ministro ainda criticou a busca que chamou de “patológica” por resultados de exames de “pessoas públicas, porque isso rende notícia”. “Há uma invasão. Não pode ser assim”. 

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“Eu fiz dois testes. Talvez faça mais um, porque eu tenho contato com muita gente”, disse Bolsonaro nesta sexta.  

Entre a realização dos dois exames, o presidente tinha a recomendação de fazer isolamento, mas desobedeceu a orientação e cumprimentou, com apertos de mão e abraços, apoiadores em frente ao Palácio do Planalto no último domingo (15), colocando-os em risco.

“Eu fiz dois testes. Talvez faça mais um, porque eu tenho contato com muita gente”, disse Bolsonaro nesta sexta.

O presidente confirmou que agora tiveram resultado positivo o assessor internacional Filipe Martins, o chefe do cerimonial da Presidência, Carlos Alberto França, o chefe da ajudância de ordens, Major Cid, e o diretor do Departamento de Segurança Presidencial, Coronel Suarez.

Outras quatro pessoas que participaram de eventos presidenciais em Miami sem fazerem parte da comitiva também estão com o vírus.

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Bolsonaro cumprimentou, com apertos de mão e abraços, apoiadores em frente ao Palácio do Planalto no último domingo (15), colocando-os em risco.

Em entrevista na frente do Palácio da Alvorada, na manhã desta sexta-feira, Bolsonaro confirmou que está bem de saúde e continuará indo ao Palácio do Planalto. 

Impeachment

O presidente também comentou pela primeira vez os pedidos de impeachment que têm surgido contra ele. Dois já foram apresentados à Câmara dos Deputados, um deles do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), um ex-aliado.

“Alguns acham que tem que ter um impeachment. Impeachment para quê? Vai manter os ministros ou vai por ministros como era antigamente?”, disse. “Temos que superar isso aí, disputa política, me acusar de tudo que acontece. O que cabe a mim eu estou fazendo com meus ministros.”