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11/06/2019 19:17 -03 | Atualizado 12/06/2019 00:10 -03

Bolsonaro se irrita com pergunta sobre Moro e encerra entrevista coletiva

Presidente se reuniu nesta terça com ministro, 2 dias após vazamento de mensagens privadas atribuídas a Moro, e manteve silêncio sobre o caso.

Adriano Machado / Reuters
Bolsonaro manteve o silêncio sobre o vazamento de mensagens envolvendo Moro mesmo após se reunir com ministro.

Mesmo depois de se encontrar com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não só manteve o silêncio nas redes sociais sobre o vazamento de mensagens do ex-juiz, como encerrou uma entrevista coletiva ao ser questionado sobre o assunto na tarde desta terça-feira (11) em São Paulo.

“Tá encerrada a entrevista”, disse Bolsonaro antes de se virar de costas para os jornalistas e sair da sala ao ser questionado por uma repórter sobre como avaliava “as questões envolvendo o ministro Sérgio Moro”. O governador de São Paulo, João Doria, estava ao seu lado e também deixou a sala.

 

Após o encontro de Moro com o presidente na manhã desta terça-feira em Brasília, o Ministério da Justiça divulgou uma nota na qual classifica a conversa entre os dois como “bastante tranquila”. Logo depois da reunião de cerca de 20 minutos no Palácio da Alvorada, o ministro foi condecorado por Bolsonaro em um evento da Marinha. 

Segundo o texto, eles “falaram sobre a invasão criminosa de celulares de juízes, procuradores e jornalistas” e Moro “rechaçou a divulgação de possíveis conversas privadas obtidas por meio ilegal”. O ministro disse a Bolsonaro que a Polícia Federal está investigando o caso.

“O ministro fez todas as ponderações ao presidente, que entendeu as questões que envolvem o caso”, completa a nota. 

O silêncio de Bolsonaro, sempre tão ativo no Twitter e em outras redes sociais, desde domingo (9) sobre o caso tem sido alvo de críticas. Até para comentar temas não diretamente ligados ao seu governo, como a morte do rapper MC Reaça ou o apoio ao jogador Neymar, o presidente foi mais ágil.

No domingo, o site The Intercept Brasil publicou reportagens com mensagens privados atribuídas a Moro e a procuradores da Lava Jato em Curitiba que sugerem que o então juiz pode ter colaborado com os membros do Ministério Público em casos como o do ex-presidente Lula. O site disse que obteve os dados de uma “fonte anônima”.

 

Moro vai ao Senado falar sobre o caso na próxima semana 

O ministro Sérgio Moro vai à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no próximo dia 19 para “prestar esclarecimentos sobre notícias amplamente veiculadas na imprensa relacionadas à Operação Lava Jato”, segundo ofício enviado pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra.

“Manifestamos a nossa confiança no ministro Sérgio Moro, certos de que esta será uma oportunidade para que ele demonstre a sua lisura e correção como juiz federal, refutando as críticas e ilações a respeito de sua conduta à frente da Operação Lava Jato”, diz o texto de Bezerra endereçado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.