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26/07/2019 13:37 -03

Bolsonaro nega que tenha reduzido saque do FGTS por lobby do setor imobiliário

Segundo o presidente, o Congresso pode elevar o valor de R$ 500 se ainda assim garantir recursos para a construção de casas populares.

Adriano Machado / Reuters
"Agora o Parlamento sabe muito bem, acho difícil eles tomarem medida nesse sentido, mas tem todo o direito de tomar", disse Bolsonaro sobre elevar o valor do saque do FGTS.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (26) que o governo procurou atingir o maior número possível de pessoas com a liberação de saques de R$ 500 por conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), mas afirmou que o Congresso pode elevar o valor se ainda assim garantir recursos para a construção e casas populares.

“Olha, o que acontece, nós procuramos atender 82% das pessoas cujo o saldo é abaixo de R$ 500. Alguns falam que eu atendi interesse de construtoras. Não, eu atendi interesse do povo”, disse Bolsonaro a jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada.

O governo anunciou na quarta-feira novas regras para o saque de recursos do FGTS, entre elas a permissão, via medida provisória, de um saque imediato de até 500 reais por conta vinculada ao FGTS, tanto ativas como inativas. Com o anúncio, o governo informou que 81% das contas tem menos que esse valor de saldo.

Apesar disso, alguns parlamentares já falam em elevar esse limite. Segundo o jornal O Globo, o líder do Podemos, José Nelto (GO), defende que ele deveria ser de pelo menos R$ 1 mil.

Bolsonaro argumentou que é preciso garantir os recursos para o programa Minha Casa Minha Vida.

“Agora o Parlamento sabe muito bem, acho difícil eles tomarem medida nesse sentido, mas tem todo o direito de tomar. Se bota na ponta do lápis, eles falarem que não será atingido a construção de casas populares no Brasil, não tem problema”, disse. “Depende deles mostrarem, que matemática não tem como fugir.”

Filho embaixador

O presidente falou também que foi enviada ao governo dos Estados Unidos a consulta formal, o chamado “agrément”, sobre a indicação de seu filho Eduardo Bolsonaro para ser embaixador naquele país.

“Acho que foi mandado ontem o ‘agrément’. Acho que foi ontem, se eu não me engano. Não tenho certeza. Eu acertei com o Ernesto (Araújo), se não foi ontem, foi hoje. A gente não está com pressa.”

A indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil os EUA tem sido criticada por ele não ser diplomata de carreira e, para alguns, não ter estatura para o cargo, mas conta com o apoio vigoroso do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo.

Para ser nomeado embaixador nos EUA, Eduardo Bolsonaro terá que ser sabatinado e aprovado tanto pela Comissão de Relações Exteriores do Senado como pelo plenário da Casa.