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25/03/2020 11:35 -03

Bolsonaro minimiza mortes por coronavírus e fala de risco à democracia

Presidente afirma que caos social pode fazer 'com que a esquerda aproveite o momento para chegar no poder'.

EVARISTO SA via Getty Images
“Alguém acha que dá para ter zero mortes? Tem certas pessoas que, se não tivesse acometido o vírus, também teriam morrido. A gente lamenta”, disse presidente sobre pandemia.

Na manhã desta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia do novo coronavírus, disse que “tem certas pessoas que, se não tivesse acometido o vírus, também teriam morrido” e afirmou que o isolamento pode levar a uma crise econômica e ao caos social e ameaçar a “normalidade democrática”.

Horas depois de pronunciamento na TV, ele defendeu novamente que as pessoas saiam do isolamento social para preservar a economia. A restrição de circulação nas ruas, recomendada pelo Ministério da Saúde, visa diminuir o contágio para evitar uma sobrecarga no sistema de saúde de pacientes com covid-19

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil subiu para 2.201, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (24). Já o número de mortes é de 46, sendo 40 no estado de São Paulo e 6 no Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira (23), eram 1.891 confirmados e 34 mortes.

De acordo com Bolsonaro, uma piora na economia pode levar a um caos social que agrave a instabilidade política no país. “O que precisa ser feito? Botar esse povo para trabalhar. Preservar os idosos. Aqueles que têm problema de saúde. Mais nada além disso. Caso contrário, o que aconteceu no Chile, vai ser fichinha perto do que pode acontecer no Brasil. Todos nós pagamos um preço que levará anos para ser pago. Se é que o Brasil não possa sair da normalidade democrática, que vocês tanto defendem. Ninguém sabe o que pode acontecer no Brasil”, afirmou a jornalistas, na porta do Palácio da Alvorada.

Ao ser questionado sobre o que seria esse risco à normalidade democrática, o presidente sugeriu que poderia sofrer um golpe. “Sai [da normalidade] porque faz com que a esquerda aproveite o momento para chegar no poder. Não é da minha parte não. Fica tranquilo”, afirmou.

O presidente voltou a criticar duramente governadores como os do Rio de Janeiro (Wilson Witzel) e de São Paulo (João Doria), que determinaram o fechamento do comércio e restringiram a circulação nas estradas. “São verdadeiros donos dos seus estados, proibindo o tráfego de pessoas, de rodovias, fechado empresas, fechando o comércio”, criticou. “Para esconder outros problemas, se colocam junto à mídia como salvadores da pátria (…) Fazem política o tempo todo”, completou.

Segundo o presidente, “se a economia colapsar, não vai ter dinheiro para pagar servidor publico”. “O caos está aí, na nossa cara. E detalhe, se tivermos problemas, que poderemos ter, os mais variados possíveis, no Brasil, como saques a supermercados, entre outras coisas, o vírus continuará entre nós também. Não foi embora o vírus. Vamos ficar com o caos e com o vírus, juntos”, disse.

A orientação do Ministério da Saúde sobre o isolamento social, comandado por Luiz Henrique Mandetta, pode mudar. Até o momento, a pasta apoia medidas regionais de restrição de circulação, como fechamento de comércios e adesão ao home office. “Conversei por alto com o Mandetta ontem. Hoje vamos definir essa situação. Tem de ser. Não tem outra alternativa. Vou conversar com ele e tomar uma decisão”, afirmou Bolsonaro.

Segundo o presidente, apenas idosos com “duas ou mais doenças” devem ser isolados. Pessoas acima de 60 anos fazem parte do grupo de risco da covid-19. Ao ser questionado sobre como seria possível isolar apenas esse grupo, Bolsonaro respondeu que essa solução é uma atribuição de familiares. ”Oh cara, tem que isolar o que cê pode, pô”, disse.

O isolamento social é adotado como uma medida para reduzir o ritmo de contágio e evitar que um grande número de pessoas fique doente ao mesmo tempo, o que poderia provocar um colapso do sistema de saúde, como alertou Mandetta. 

Ainda que não faça parte do grupo de risco, se a pessoa circula pela cidade e mora com um idoso, há risco de transmissão, ainda que se adote medidas de isolamento dentro da própria casa. 

Ao ser questionado sobre as mortes provocadas pela pandemia, Bolsonaro minimizou a situação. “Se as pessoas tivessem pego H1N1, iriam morrer também”, disse. “Alguém acha que dá para ter zero mortes? Tem certas pessoas que, se não tivesse acometido o vírus, também teriam morrido. A gente lamenta”, completou. 

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