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05/04/2019 13:16 -03 | Atualizado 05/04/2019 14:15 -03

Bolsonaro sinaliza demissão de ministro da Educação na próxima segunda

"Segunda é o dia do fico ou não fico", disse presidente a jornalistas; Vélez diz que não pedirá demissão.

Amanda Perobelli / Reuters
'Não vou pedir demissão', disse o ministro da Educação em evento organizado pelo Lide nesta sexta-feira, em Campos do Jordão.

O ministro da Educação, Ricardo Vélez, parece realmente estar com os dias contados. Ao receber jornalistas nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro indicou que Vélez deve ser o segundo ministro a deixar o posto antes dos 100 dias de governo, numa decisão que pode ser concretizada na próxima segunda-feira (5).

“Está bastante claro que não está dando certo. Ele é uma pessoa bacana e honesta, mas está faltando gestão, que é uma coisa importantíssima”, disse Bolsonaro a editores dos principais jornais do país.

“Até segunda, vai ser resolvido, ninguém mais vai reclamar. Vélez é boa pessoa. Quem vai decidir sou eu. Segunda é o dia do fico ou não fico”, afirmou, segundo a Folha de S. Paulo.

Mais uma vez recorrendo a metáforas de casamento, Bolsonaro disse que a previsão é tirar a “aliança da mão esquerda” de Vélez e “pôr na mão direita ou na gaveta”.

Após demitir o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, em fevereiro, Bolsonaro comparou a situação com o fim de um casamento. ”É quase um casamento que infelizmente prematuramente se desfez.”

Vélez, que já está na corda-bamba há alguns dias, em meio a um caos generalizado no Ministério da Educação (MEC), disse em um evento em Campos do Jordão, nesta sexta-feira (5), que não vai entregar o cargo agora.

Ele afirmou não ter conversado com Bolsonaro e disse que agora não” sairia do MEC. “Não tenho notícia disso. Eu vim participar do fórum e não vou pedir demissão”, disse aos jornalistas.

Foram pelo menos 20 baixas no MEC em três meses de governo, grande parte delas em postos de alto escalão. Na última quinta (4), foram demitidos o assessor especial do ministro, Bruno Garschagen, e a chefe de gabinete, Josie de Jesus, que foi substituída por mais um nome militar na pasta.

Na semana passada, outro militar, o tenente-brigadeiro Ricardo Vieira Machado assumiu como secretário-executivo, o segundo maior posto do ministério, que ficou vago por mais de 25 dias.

Os movimentos refletem uma disputa interna no MEC e no próprio governo, que envolve seguidores do “guru” do Bolsonarismo, Olavo de Carvalho - que inclusive indicou Vélez ao presidente - e os militares. Garschagen era um dos principais “olavistas” do MEC.

Os passos de Vélez, que não esconde as decisões ideologicamente baseadas,  estariam desagradando fortemente os militares. Até mesmo a declaração do ministro ao jornal Valor Econômico, de que pretendia alterar livros didáticos para ensinar aos estudantes que não houve um golpe militar em 1964, irritou a cúpula militar do governo, segundo a Folha de S. Paulo.

É que, apesar de concordarem com a teoria, os militares acham o desgaste desnecessário, ainda mais neste momento de crise do governo.

Em meados de março, Luiz Antônio Tozi foi demitido do cargo de secretário-executivo e outros 6 funcionários foram exonerados, após pressão do guru ideológico dos Bolsonaro.

Tozi, que é desafeto de Olavo, era considerado representante da ala técnica do ministério. Dias antes de sua exoneração, Olavo pediu aos seus alunos que deixassem cargos que ocupam no governo.

“O presente governo está repleto de inimigos do presidente e inimigos do povo, e andar em companhia desses pústulas só é bom para quem seja como eles”, afirmou Olavo.

O filósofo e teólogo colombiano Vélez venceu a disputa pela indicação ao cargo justamente por ser alinhado ideologicamente a Olavo de Carvalho e ao grupo que rodeia Bolsonaro, ao contrário do diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Ramos. Ironicamente, esse parece o motivo que levará também à sua demissão.