NOTÍCIAS
22/01/2020 19:42 -03 | Atualizado 23/01/2020 10:41 -03

A secretários, Bolsonaro diz estudar recriação do Ministério da Segurança Pública

Avaliação nos bastidores é que medida é, na verdade, uma tentativa de esvaziar funções do ministro Sergio Moro.

Adriano Machado / Reuters

Em uma agenda com secretários estaduais de 15 estados no fim da tarde desta quarta-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro prometeu “estudar a possibilidade” de recriar o Ministério da Segurança Pública. Ele extinguiu a pasta ao fundi-la com a Justiça e fazer de Sergio Moro superministro. 

Caso decida pela divisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública em duas pastas novamente, o presidente acaba por esvaziar as funções do ex-juiz. Nos bastidores tanto do ministério quanto do Palácio do Planalto, a avaliação é que, ao deixar que essas conversas tenham andamento, Bolsonaro manda recados a Moro sobre eventual interesse do ministro em se candidatar à Presidência da República em 2022. 

“Ele teme o fato de Moro aparecer muito, de ele ser a estrela do governo, de ser mais bem avaliado e até mais popular que ele”, afirmou uma fonte ao HuffPost. Cabe ressaltar que o ministro tem avaliação positiva acima de Bolsonaro, segundo pesquisa Datafolha de dezembro. “É claro que segurança pública é um tema que demanda muito mais que Justiça e quem comanda essa pasta acaba aparecendo mais”, destacou a fonte.

A ideia de recriar o ministério não é nova. Há cerca de três meses, o presidente falou a respeito com um de seus aliados mais próximos, o ex-deputado Alberto Fraga (DEM), uma espécie de consultor informal. O ex-parlamentar é, inclusive, um dos nomes cotados para a vaga, caso Bolsonaro implemente a medida. 

Fraga é coronel aposentado da Polícia Militar e, enquanto deputado, chegou a presidir a bancada da bala na Câmara dos Deputados. 

Ao HuffPost nesta quarta, ele negou qualquer conversa sobre assumir o comando do ministério. “Isso cabe unicamente ao presidente. Meu nome acaba sendo citado nesses momentos pela minha atuação nesse contexto.”

O ex-deputado criticou a atuação do ministro Sergio Moro à frente do ministério e disse que a redução da criminalidade nos estados que têm sido amplamente divulgada pelo MJ é “um mérito dos estados”.

“As medidas adotadas pelo Ministério da Segurança Pública são de órgão executor. O ministério é um padronizador das políticas, para que a polícia na Bahia haja igual à polícia em Santa Catarina. Acho que hoje, a questão da Justiça e da Segurança juntas causa esse tipo de deficiência e é esse tipo de coisa que os secretários estão sentindo”, afirmou. 

Moro discorda da avaliação de Fraga. Em seu Twitter, no dia 4 de janeiro, disse que os “especialistas” que afirmam que o governo federal não tem a ver com a queda nos índices de criminalidade são os mesmos que “compunham ou assessoravam os governos anteriores que os crimes só cresciam”. 

O ministro usa com frequência a rede social para divulgar números das ações da pasta em relação à segurança pública. 

Nos bastidores do ministério, a avaliação é que Moro tem dado prioridade para a segurança pública em sua gestão. Uma das iniciativas da pasta nesse sentido é o programa Em Frente Brasil, com seleção de cinco cidades modelo para teste onde, só em setembro do ano passado, a quantidade de homicídios caiu 53%.

Outra iniciativa que o ministro busca fortalecer é o Banco Nacional de Perfis Genéticos. Até novembro, houve aumento de 165% na quantidade de perfis de condenados cadastrados.