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23/01/2020 09:43 -03

No governo Bolsonaro, Brasil cai uma posição no ranking de corrupção

Investigações de integrantes do alto escalão do governo e substituições na Polícia Federal e na Receita Federa são apontadas como retrocessos.

ASSOCIATED PRESS
Um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Sem Partido - RJ) também é investigado por peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa.  

No primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, o Brasil caiu uma posição no ranking do IPC (Índice de Percepção da Corrupção), elaborado pela ONG Transparência Internacional. Com a mesma nota recebida em 2018, 35 pontos, ocupamos a 106ª posição entre os 180 países avaliados, atrás de vizinhos como Argentina (66ª), Chile (26ª), Colômbia (96ª), Cuba (60ª), Equador (93ª) e Uruguai (21ª).

Esse é o quinto recuo seguido do do Brasil e o pior resultado desde 2012. O desempenho dos brasileiros piora desde 2014, ano em que estourou a Operação Lava Jato.

A pesquisa é feita com especialistas e executivos e mede a percepção sobre a corrupção.

Entre os fatores apontados como negativos, estão investigações de integrantes do alto escalão do governo, como o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, denunciado por comandar um esquema de candidaturas laranjas, e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), envolvido em investigações sobre suborno.

Um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Sem Partido - RJ) também é investigado por peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa.

Também contribuíram para nota decisões do Executivo que sugerem interferência política em órgãos investigativos, como o antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), atual Unidade de Inteligência Financeira (UIF); substituições na Polícia Federal do Rio de Janeiro e na Receita Federal e a nomeação de Augusto Aras como procurador-geral da República, por seu alinhamento com o presidente.

Outro fator negativo são os ataques à mídia e à sociedade civil organizada.

No Legislativo, a minirreforma eleitoral, que diminui a transparência sobre o dinheiro dos partidos, foi vista como principal retrocesso.

Já no Judiciário, o principal fato negativo foi a decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, que suspendeu investigações criminais que usassem, sem autorização judicial, dados sigilosos do Coaf e da Receita Federal e beneficiava Flávio Bolsonaro. O plenário da corte reverteu esse entendimento depois.

Por outro lado, a Transparência Internacional avalia como avanço decreto do governo federal que exige ficha limpa para cargos de confiança e o aumento 1.200 agentes na Polícia Federal, que deflagrou operações importantes.

A aprovação de medidas do pacote anticrime, que inclui confisco alargado e mudanças no sistema de prescrição são vistas como boas contribuições do Parlamento, além da derrubada do decreto presidencial que facilitava a classificação de informações públicas como sigilosas.