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24/01/2020 11:24 -03

Associação indígena diz que vai processar Bolsonaro por crime de racismo

Bolsonaro, ao falar sobre ações do governo na Amazônia durante transmissão nas redes sociais, afirmou que os índios são cada vez mais “um ser humano igual a nós”

Ricardo Moraes / Reuters
Homens indígenas da tribo Yudja são retratados durante um pow wow -- evento específico da comunidade -- de quatro dias na vila de Piaracu, no Parque Indígena do Xingu.

 A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) informou que vai processar o presidente Jair Bolsonaro por crime de racismo devido à afirmação do mandatário de que os índios são cada vez mais “um ser humano igual a nós”.

“Nós, povos indígenas, originários desta terra, exigimos respeito! Bolsonaro mais uma vez rasga a Constituição ao negar nossa existência enquanto seres humanos. É preciso dar um basta a esse perverso!”, disse a coordenadora-executiva da associação, Sonia Guajajara, em publicação no Twitter.

Guajajara acrescentou na publicação que a APIB entrará na Justiça contra Bolsonaro por crime de racismo. Procurada nesta sexta-feira (24), a associação não respondeu à Reuters o pedido de informações adicionais sobre o processo.

Em transmissão semanal nas redes sociais desta quinta-feira, Bolsonaro falou sobre o Conselho da Amazônia e as ações do governo previstas para terras indígenas. Ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, Bolsonaro disse que o governo quer integrar os indígenas à sociedade.

“O índio mudou, está evoluindo, cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós. Então fazer com que o índio cada vez mais se integre à sociedade e seja realmente dono da sua terra indígena, é isso que nós queremos”, afirmou.

ASSOCIATED PRESS
A lider indígena Sonia Guajajara (à dir.) fala durante evento na Câmara dos Deputados, ao lado de Joênia Wapichana, 1ª mulher indígena eleita deputada.

Desde o início do governo, Bolsonaro vem defendendo que as reservas indígenas sejam abertas à agropecuária e à mineração, como forma de incentivar o desenvolvimento econômico da Amazônia.

No entanto, indígenas e ambientalistas temem que os planos do governo irão acelerar a destruição da floresta tropical.

Na semana passada, um manifesto assinado por povos indígenas ao fim de quatro dias de reuniões na reserva do Xingu disse que Bolsonaro ameaça a sobrevivência dos índios por meio de “genocídio, etnocídio e ecocídio”.