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18/06/2020 20:19 -03

Bolsonaro diz que Queiroz não estava foragido e chama prisão de ‘espetaculosa’

“Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da terra.”

Reprodução
Ex-assessor de Flávio Bolsonaro é amigo do presidente há mais de 30 anos.

Depois de um dia inteiro de silêncio, o presidente Jair Bolsonaro comentou somente no início da noite desta quinta-feira (18) a prisão de Fabrício Queiroz, seu amigo há mais de 30 anos. Em 3 minutos e 30 segundos de sua live semanal no Facebook, minimizou a prisão, afirmou não ser advogado do policial militar aposentado e classificou a detenção de “espetaculosa”. “Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da terra.” Disse ainda que não havia mandado de prisão.

O documento assinado pelo juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, determina prisão preventiva. Na justificativa, o magistrado alega que Queiroz estava atrapalhando as investigações. Além de obstrução, o mandado especifica ainda o crime de lavagem de dinheiro. 

“Não sou advogado do Queiroz e não estou envolvido no processo. Ele não estava foragido e não havia mandado de prisão contra ele. Foi feita uma prisão espetaculosa. Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da terra”, afirmou Bolsonaro. O presidente completou: “Se tivessem pedido ao advogado, creio eu, o comparecimento dele a qualquer local, ele teria comparecido.”

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz foi preso no sítio do advogado do senador e de Jair, Frederick Wassef, em Atibaia, no interior de São Paulo. Queiroz é peça-chave da investigação sobre um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. 

Embora o próprio Wassef já tivesse comentado pelo menos duas vezes no último ano que não sabia do paradeiro do ex-funcionário dos Bolsonaro e o próprio Flávio também o negasse constantemente, o mandatário comentou o fato de ele ter sido encontrado por lá: “Por que estava naquela região de São Paulo? Porque é perto do local onde faz tratamento de câncer”.

Como mostrou o HuffPost mais cedo, esta quinta foi um dia de tensão no Palácio do Planalto, com uma discussão sobre como tratar o caso. Bolsonaro, muito irritado, chegou a gritar com a equipe, que era preciso “dar um jeito” de Queiroz de manter em silêncio. Teme-se que ele seja convencido a fazer uma delação premiada. 

Apesar da confiança da família Bolsonaro no ex-assessor, a operação desta quinta mirou também sua esposa, Márcia, considerada foragida até esta noite. Queiroz já havia mandado recado ao presidente que, se a esposa e a filha, que também haviam trabalhado para os Bolsonaro, fossem implicadas em alguma das investigações do Ministério Público, ele não se comprometeria em arcar com todas as responsabilidades sozinho.

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