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17/10/2019 11:56 -03

Briga interna do PSL, agora, depende de intervenção de Rodrigo Maia

Cabe ao presidente da Câmara decidir quem será líder do partido. Há pedidos em defesa de Delegado Waldir e de Eduardo Bolsonaro.

Joshua Roberts / Reuters
"Ficarei à frente da liderança até dezembro, mês em que realizaremos eleições para o novo líder", disse Eduardo Bolsonaro, antes da apresentação de requerimento para destituí-lo do cargo.

Mais um capítulo da novela “crise no PSL” veio à tona na noite de quarta-feira (16), com a disputa pela cadeira de líder do partido na Câmara. Sob intervenção do presidente Jair Bolsonaro, um grupo de 27 deputados apresentou um requerimento para destituir o Delegado Waldir (GO), que ocupava o posto desde o início do ano, e colocar na vaga o deputado Eduardo Bolsonaro.

Imediatamente, aliados do deputado por Goiás, também ligados ao comandante da legenda, Luciano Bivar, reagiram com um documento assinado por 32 parlamentares minutos depois. 

Para que a troca de líderes aconteça, são necessárias assinaturas de mais da metade dos parlamentares da bancada no pedido. Os PSL tem 53 deputados. 

Após o segundo documento (em apoio a Waldir), os bolsonaristas voltaram a apresentar outro requerimento, com o argumento de que o que vale é “o último”. Nesse caso, como há protocolados na Secretaria Geral da Mesa (SGM) da Câmara três pedidos para trocar a lideranças do PSL, caberá ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a decisão. 

A SGM ainda estava conferindo, na manhã desta quinta (17), se todas as assinaturas são válidas. Só depois dessa burocracia, haverá uma manifestação formal de Maia. Ao longo da semana, o presidente da Câmara tem repetido que a Casa não pode parar por uma briga interna do partido. 

Para colocar seu filho no lugar de Delegado Waldir, Jair Bolsonaro abandonou sua agenda no Palácio do Planalto ao longo da quarta-feira e fez ligações pessoalmente a deputados para pedir apoio ao seu filho Eduardo. 

Desde semana passada, quando a disputa interna no PSL se tornou pública justamente por conta de uma fala de Bolsonaro - ele disse a um apoiador na porta do Palácio da Alvorada para deixar o partido de lado e que Luciano Bivar está “queimado pra caramba”- o presidente tem feito vários encontros fora da agenda oficial para tratar do tema partidário. 

Líder por conta própria

Após a apresentação do primeiro requerimento, Eduardo Bolsonaro deu uma coletiva, já se colocando como líder do partido. “Tendo em vista os últimos acontecimentos referentes apenas à liderança do PSL, visando preservar a imagem do partido na Câmara, por aclamação da maioria dos deputados do partido, ficarei à frente da liderança até dezembro, mês em que realizaremos eleições para o novo líder.”

A guerra no PSL se intensificou essa semana, especialmente após a operação da Polícia Federal que mirou Luciano Bivar. Naquele dia, Delegado Waldir subiu o tom, disse que deveria haver um tratamento de igualdade, já que a PF esteve em endereços ligados ao ministros Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, numa referência ao primogênito de Bolsonaro, o senador Flávio, que é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no esquema de “rachadinha”. 

Waldir também orientou, no plenário da Câmara, contra a votação de uma Medida Provisória importante para o governo, a 866, que reestrutura a Casa Civil e a Secretaria do Governo e, caso não fosse apreciada até esta quinta-feira (17) perderia a validade. Apesar disso, a MP foi aprovada. Mas veio a retaliação.