POLÍTICA
28/05/2019 13:53 -03

Bolsonaro propõe assinar 'pacto de metas' com Congresso e STF

Após apoiar manifestações que tiveram como uma das bandeiras críticas a Maia, Centrão e Supremo, Bolsonaro se reuniu com presidentes de Câmara, Senado e STF.

Marcos Corrêa/Presidência
Bolsonaro cumprimenta Maia, dois dias depois de apoiar manifestação que teve o presidente da Câmara como um dos alvos.

Dois dias depois das manifestações pró-Bolsonaro que criticaram, em parte, o Congresso e o Judiciário, o presidente recebeu, na manhã desta terça (28), os representantes máximos dos outros dois poderes no Palácio do Alvorada e propôs um “pacto de entendimento e metas de interesse da sociedade brasileira”.

Segundo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que também participou do café da manhã com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), José Dias Toffoli, o governo trabalha em um documento a ser assinado pelos três Poderes em torno de projetos prioritários para retomada do crescimento.

“Da reunião de hoje se consolida a ideia de que se formalize um pacto de entendimento e algumas metas de interesse da sociedade brasileira, a favor da retomada do crescimento”, disse Onyx.

De acordo com ele, há a expectativa que o pacto seja assinado na semana do dia 10 de junho. “Daqui até lá vamos continuar dialogando para a construção do texto que será assinado nesse dia e apresentado ao país”, afirmou o ministro.

O documento está sendo preparado pela equipe da Casa Civil em cima de um texto organizado por Toffoli ainda em 2018, logo depois de assumir a presidência do STF.

Apesar de não dar detalhes, Onyx explicou que a aprovação da reforma da Previdência estará entre esses projetos considerados prioritários para os chefes dos três Poderes. Maia e Alcolumbre são defensores da reforma e Toffoli, ao abrir o ano do Judiciário, em fevereiro deste ano, também defendeu a reforma em seu discurso.

“A ideia é ter um conjunto de metas e ações que os Poderes poderão juntos ir buscar em favor da sociedade”, disse Onyx. “Esse texto vem sendo trabalhado. O texto inicial foi do ministro Toffoli, que sugeriu há mais de um mês. Nós construímos uma síntese conversando com o presidente do Senado, o presidente da Câmara, com o próprio presidente da República”, afirmou o ministro, acrescentando que o documento foi praticamente validado por todos nesta terça-feira.

HuffPost Brasil
Bolsonaro recebeu Maia, Alcolumbre e Toffoli em café da manhã no Alvorada.

Ainda segundo Onyx, o encontro desta terça é parte de “um esforço [de diálogo] permanente que o presidente Bolsonaro tem feito desde que assumiu o poder”.

No entanto, não é isso que se tem visto desde o início do governo. Problemas na articulação com os parlamentares, críticas constantes à “velha política”  e embates públicos, via redes sociais, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, demonstram que uma das estratégias de Bolsonaro é alimentar um sentimento popular contrário ao Legislativo - que seria o culpado por suas propostas não avançarem. 

Nos últimos dias, o presidente compartilhou um texto pelo WhatsApp que afirmava que o país é ingovernável sem conchavos. Na análise, o autor destaca que Bolsonaro tem sofrido resistência de corporações e alega que o Congresso o tem impedido de aprovar suas propostas.

“Até o momento, como todas as suas ações foram ou serão questionadas no Congresso e na Justiça, apostaria que o presidente não serve para nada, exceto para organizar o governo no interesse das corporações”, diz o texto.

No domingo, após as manifestações, Bolsonaro afirmou que o movimento era um recado às “velhas práticas” que não deixaram o povo se “libertar”. A declaração irritou parlamentares.