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08/09/2020 09:04 -03

Bolsonaro afirma que golpe de 64 respondeu a 'ameaça do comunismo' e diz ter compromisso com democracia

Durante o pronunciamento na TV, por ocasião do 7 de Setembro, foram registrados panelaços em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Reprodução/ Youtube
Bolsonaro fala em "sombra do comunismo" que teria antecipado o golpe militar de 1964.

Em pronunciamento em cadeia de rádio e TV por ocasião do 7 de Setembro, o  presidente Jair Bolsonaro disse que a população brasileira foi às ruas em 1964 contra a “ameaça do comunismo” – o que teria, na sua visão, justificado o golpe militar – e que, hoje, ele tem “compromisso com a Constituição e com a preservação da soberania, democracia e liberdade”.

“No momento em que celebramos essa data tão especial, reitero, como presidente da República, meu amor à pátria e meu compromisso com a Constituição e com a preservação da soberania, democracia e liberdade, valores dos quais nosso país jamais abrirá mão”, afirmou.

Durante a veiculação do pronunciamento gravado, foram registrados panelaços em protesto contra o presidente em algumas capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Em sua fala, Bolsonaro fez uma digressão que vai desde a independência, em 1822, destacando que o Brasil nunca mais aceitaria ser submisso, passou pela formação da identidade nacional com a mistura dos povos e suas culturas, destacando que haveria assimilação e respeito.

“O Brasil desenvolveu o senso de tolerância, os diferentes tornavam-se iguais. O legado dessa mistura é um conjunto de preciosidades culturais, étnicas e religiosas, que foram integradas aos costumes nacionais e orgulhosamente assumidas como brasileiras”, afirmou.

No discurso, Bolsonaro fez uma leitura particular dos acontecimentos que levaram ao golpe militar de 1964, na linha de sua defesa ao regime que se instalou no país naquela ocasião.

“Nos anos 60, quando a sombra do comunismo nos ameaçou, milhões de brasileiros, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, foram às ruas contra um país tomado pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”, disse.

No pronunciamento, de menos de 4 minutos, o presidente disse que a independência do Brasil merece ser comemorada e ela nos deu a liberdade para decidir nossos destinos e a usamos para escolher a democracia.

“Formamos um povo que acredita poder fazer melhor”, disse, sem fazer menção a temas atuais, como a pandemia do Covid-19.

Pela manhã Bolsonaro participou de solenidade de hasteamento da bandeira em frente ao Palácio da Alvorada e, sem máscara, acenou e cumprimentou populares no local, provocando aglomerações, a despeito de recomendações para se manter o distanciamento social em meio ao novo coronavírus.