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23/08/2019 21:32 -03 | Atualizado 24/08/2019 01:07 -03

Sob panelaço e manifestações, Bolsonaro diz que Brasil é 'exemplo de sustentabilidade'

Presidente autorizou uso das Forças Armadas na Amazônia. “Somos um Governo de tolerância zero com a criminalidade”, disse Bolsonaro em pronunciamento nesta sexta.

Adriano Machado / Reuters
Presidente Jair Bolsonaro fez pronunciamento na TV sobre a Amazônia.

No momento em que acontecem protestos pelo País em favor da Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro, na noite desta sexta-feira (22), fez pronunciamento em rede nacional, no qual disse que Brasil é “exemplo de sustentabilidade” e que terá “tolerância zero com a criminalidade” ao se referir às queimadas.

No pronunciamento, o presidente anunciou que autorizou uma operação de Garantia da Lei e da Ordem, ou seja, apoio do Exército no combate ao desmate. “Somos um governo de tolerância zero com a criminalidade, e na área ambiental não será diferente. Por essa razão, oferecemos ajuda a todos os estados da Amazônia Legal. Com relação àqueles que a aceitarem, autorizarei operação de Garantia da Lei e da Ordem, uma verdadeira GLO ambiental.”

Segundo o presidente, “o emprego de pessoal e equipamentos das Forças Armadas, auxiliares e outras agências permitirão não apenas combater as atividades ilegais como também conter o avanço de queimadas na região”.

Bolsonaro ainda disse que a Floresta Amazônica ”é parte essencial da nossa história” e que sua proteção não depende somente de ações de fiscalização, mas que é necessário “dinamismo econômico” para proporcional oportunidades de desenvolvimento para a população da região.

“A proteção da floresta é nosso dever. Estamos cientes disso e atuando para combater o desmatamento ilegal e quaisquer outras atividades criminosas que coloquem a nossa Amazônia em risco”, disse. “Para proteger a Amazônia não bastam operações de fiscalização, comando e controle. É preciso dar oportunidade a toda essa população para que se desenvolva junto com o restante do País. É nesse sentido que trabalham todos os órgãos do governo.” 

O presidente, que nesta semana chegou a sugerir que ONGs ligadas à preservação do meio ambiente estariam por trás do crescente número de queimadas, minimizou críticas ao afirmar que queimadas sempre acontecem.

“Estamos numa estação tradicionalmente quente, seca e de ventos fortes, em que todos os anos infelizmente ocorrem queimadas na região amazônica”

NELSON ALMEIDA via Getty Images
Protesto é realizado na avenida paulista. Bolsonaro fez pronunciamento no momento em que manifestação acontecia.
 

A informação, no entanto, não é verdade. Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), não é possível atribuir as queimadas apenas à seca. Os municípios com maior índice de focos de incêndio também são os com maior índice de desmate. 

Após reação das ONGs envolvidas e de líderes de governos estrangeiros, como o presidente francês, Emmanuel Macron, Bolsonaro admitiu que poderia haver envolvimento de fazendeiros nas queimadas e reconheceu que elas eram prejudiciais ao país.

Em seguida, Bolsonaro exaltou a legislação ambiental brasileira. “Somos exemplo de sustentabilidade. Temos uma lei ambiental moderna e um Código Florestal que deveria servir de modelo para o mundo inteiro.”

No pronunciamento, também Bolsonaro reafirmou estar aberto ao diálogo, mas destacou que isso precisa se dar com respeito à soberania do país.

Ao final, o presidente afirmou que não espera punições devido à atuação de seu governo na Amazônia. “Incêndios florestais existem em todo o mundo, isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais”, disse.

Organizações Não-Governamentais (ONGs) realizam hoje, em várias cidades brasileiras, atos em defesa da Amazônia. No momento do pronunciamento do presidente, panelaços foram ouvidos em diversas cidades pelo País.

Força Nacional na Amazônia

ASSOCIATED PRESS
Focos de queimada na Amazônia aumentaram mais de 80% entre janeiro deste ano e o início deste mês.

A autorização preventiva para Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para combate aos incêndios florestais nos Estados da Amazônia Legal foi assinada na tarde desta sexta. Para entrar em vigor no estado, é preciso que cada governador apresente um pedido.

De acordo com informações do Palácio do Planalto, os nove estados da Amazônia Legal já concordaram com a GLO. No entanto, apenas Roraima assinou o pedido.

Ao sair de uma reunião com Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o governador do Estado, Antonio Denarium, confirmou que apresentou o pedido.

“Os Estados da região amazônica não têm condições hoje de fazer o combate aos incêndios florestais”, disse Denarium. “O governo federal vai colocar as tropas que estão na região e se for necessário levará mais de outras regiões.”

Essa é a primeira medida anunciada pelo governo depois das crise causada pelas informações de que os focos de queimada na Amazônia aumentaram mais de 80% entre janeiro deste ano e o início deste mês, em relação ao mesmo período do ano passado.