OPINIÃO
13/03/2019 17:18 -03 | Atualizado 13/03/2019 17:26 -03

Bolsonaro presta condolências às famílias de Suzano... 6 horas após massacre

Demora em manifestação de Bolsonaro, sempre tão ágil no Twitter, causa estranheza.

Galeria de Fotos Massacre em escola de Suzano (SP) deixa 10 mortos Veja Fotos

O massacre na escola de Suzano, na Grande São Paulo, que deixou 10 mortos e 10 feridos nesta quarta-feira (13) ocorreu por volta das 9h30 da manhã. As primeiras informações sobre o tiroteio foram divulgadas pela imprensa pouco depois das 10h. O presidente Jair Bolsonaro prestou suas condolências aos familiares das vítimas 6 horas depois.

“Presto minhas condolências aos familiares das vítimas do desumano atentado ocorrido hoje na Escola Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Uma monstruosidade e covardia sem tamanho. Que Deus conforte o coração de todos!”, escreveu Bolsonaro em sua conta pessoal no Twitter às 16h.

Uma nota da Presidência - a primeira sobre o caso -, divulgada minutos antes, afirmava que “mais uma vez, nosso país é abalado por uma grande tragédia”.

“O Governo Federal manifesta seu profundo pesar com os fatos ocorridos na cidade de Suzano, em São Paulo, apresentando suas condolências e sinceros sentimentos às famílias das vítimas de tão desumana ação”, disse a nota, estendendo ao estado de São Paulo “total apoio para auxiliar na apuração dos fatos”.

O silêncio de Bolsonaro, sempre tão ágil no Twitter, por tanto tempo causou estranheza.

Não é preciso esperar 6 horas para lançar uma nota de condolências aos familiares das vítimas - 5 delas jovens com idades entre 15 e 17 anos que estavam estudando no momento do crime.

Por mais que se saiba que qualquer declaração sobre armas neste momento pode atingir uma das principais bandeiras de seu governo - a flexibilização ao acesso a armas - é estranho que um presidente demore tanto para se dirigir às famílias dilaceradas.

É de se esperar que, ao contrário de tudo o que foi publicado irresponsavelmente na conta oficial do presidente nos últimos dias (de fake news sobre jornalistas a um vídeo obsceno), essa nota de condolências tenha passado pelas mãos de alguns assessores antes de sua publicação.

Mas 6 horas para redigir uma nota de pesar sobre um “desumano atentado”, uma “monstruosidade e covardia sem tamanho”?

Neste período, inclusive, o perfil de Bolsonaro postou uma nota comemorando o aumento da safra do milho.

Mas se você está se perguntando se não é normal alguma demora para a manifestação formal de um presidente sobre uma tragédia - por exemplo, para esperar que sejam confirmadas todas as informações -, aqui vão alguns exemplos recentes no Brasil e no mundo.

Em 7 de abril de 2011, quando ocorreu o massacre em outra escola, no Realengo, no Rio de Janeiro, a então presidente Dilma Rousseff deu uma declaração, pessoalmente, no Planalto menos de 3 horas depois de os primeiros sites de notícia divulgarem o tiroteio, às 9h da manhã. O atirador havia entrado na escola por volta das 8h30. Pelo menos 12 pessoas morreram.

Em dezembro, quando um atirador invadiu a Catedral Metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo, matando 4 pessoas, o então presidente Michel Temer publicou uma nota de condolências, no Twitter às 17h13, cerca de 3 horas depois de a notícia começar a ser divulgada por sites de notícias. 

Mesmo o ídolo de Bolsonaro, Donald Trump, também ele defensor de restrições mínimas ao acesso de armas, demorou menos de 3 horas para enviar suas condolências, pelo Twitter, às famílias dos 17 mortos em uma escola de ensino médio em Parkland, Flórida.

Por aqui, permanece o incômodo sobre o que, no mínimo, parece uma falta de cuidado e de sentido de urgência do presidente com um atentado dessa proporção. Ainda mais se considerarmos a sua notável rapidez para tuitar assuntos que são visivelmente do seu interesse.