OPINIÃO
06/12/2019 10:27 -03 | Atualizado 06/12/2019 10:36 -03

Uma das piores semanas para os Bolsonaros

Foras de Trump, filho investigado, outro punido...

Divulgação
Família Bolsonaro em um momento sereno, bem diferente desta semana tensa e com más notícias para todos.

Definitivamente, esta foi uma semana cheia de más notícias para a família Bolsonaro — Jair Bolsonaro e seu governo, mas também para seus filhos Flávio e Eduardo. Carluxo continua sumido...

A dor de cabeça para o presidente do Brasil começou cedo na segunda-feira com seu ídolo, Donald Trump, anunciando a taxação do aço e do alumínio brasileiros. O chefe da Casa Branca disse, em tom crítico, que tanto Brasil quanto Argentina desvalorizam suas moedas de forma “massiva” — o que afeta os agricultores dos EUA.

Mas a decepção com Tio Sam — melhor, com Tio Trump — não para por aí. Além da retomada da tarifa sobre os metais, os Estados Unidos ameaçam cancelar o acordo de Alcântara se o Brasil mantiver a China no leilão do 5G, previsto para 2020. O furo da repórter Débora Álvares, que conversou com diplomatas, interlocutores do governo e fontes de Washington, repercutiu bastante na quarta-feira.

O recado dos EUA chegou após mútuas sinalizações de Bolsonaro e do presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula dos BRICs. A Embaixada dos EUA em Brasília nega.

Na terça-feira, o diretório nacional do PSL confirmou a punição de 18 deputados do partido que apoiam Bolsonaro e empreenderam uma guerra de listas com a ala bivarista (ligada ao presidente da sigla, Luciano Bivar). Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pegou suspensão de 1 ano.

Ele fica impedido de exercer plenamente suas atividades parlamentares. Deverá sair da liderança do PSL na Câmara — e ser substituído por sua agora arqui-inimiga, Joice Hasselmann (PSL-SP).

Nesta semana, Eduardo também foi destituído da presidência do PSL em São Paulo, por recomendação do conselho de ética da sigla. O desrespeito ao estatuto do partido e acusações aos bivaristas foram argumentos para a punição.

Ainda na terça, a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de permitir assinaturas eletrônicas para criar um partido pareceu uma vitória para Bolsonaro e seu Aliança pelo Brasil. Entretanto, o TSE decidiu que é necessário regulamentar o processo e criar uma tecnologia para coletar essas assinaturas — o que não tem prazo para ocorrer. 

Assim, o sonho de Bolsonaro de emplacar o Aliança pelo Brasil já nas eleições de 2020 fica mais distante...

Por fim, nesta sexta, o jornal O Globo informa que o Ministério Público do Rio retomou a investigação sobre Flávio Bolsonaro — que estava paralisada havia 4 meses.

Como o STF (Supremo Tribunal Federal) permitiu compartilhamento de dados de órgão de controle, a investigação foi desengavetada, conforme adiantou o HuffPost no domingo passado. 

Agora, esperamos esclarecimentos do caso da “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual e do envolvimento do amigo Fabrício Queiroz, que movimentou R$ 1,2 milhão com depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas ao pagamento dos salários dos servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Na semana que vem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, analisará caso a caso as punições do PSL. Poderá manter ou rejeitar a suspensão do 03. 

Será mais uma derrota para a família?

2019 vai terminar mal para o clã Bolsonaro, como foi esta semana?

Acompanhemos.

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