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12/07/2019 15:01 -03

‘Não é nepotismo, eu jamais faria isso’, diz Bolsonaro sobre indicar o filho para embaixador nos EUA

Eduardo prometeu resposta até domingo e justificou: “Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, aprimorei meu inglês”.

SERGIO LIMA via Getty Images
Bolsonaro afirmou que cogita indicar o filho para embaixador nos EUA no momento em que a Câmara dos Deputados votava os destaques da reforma da Previdência. 

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (12) que a indicação de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a embaixada em Washington não se enquadraria como nepotismo, e que não faria a indicação se fosse.

“Alguns falam que é nepotismo. Essa função, tem decisão do Supremo, não é nepotismo, eu jamais faria isso. Ou vocês acham que devo aconselhar o Eduardo a renunciar o mandato e voltar a ser agente da Polícia Federal?”, disse o presidente em uma live na manhã desta sexta.

Uma análise jurídica interna feita pelo Planalto sobre a possibilidade apontou, em um primeiro momento, que as nomeações de primeiro escalão, como para embaixador, não se enquadram como nepotismo. Mas não foi feita ainda uma análise oficial a pedido do presidente.

A questão foi levantada na quinta-feira, depois que Bolsonaro confirmou que estava analisando a indicação do filho e Eduardo admitiu que se for indicado, irá aceitar. Uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2008 proibiu o nepotismo. No entanto, uma decisão de 2018 da 2ª turma do STF diz que a súmula não se aplica a indicação para cargos de natureza política.

Bolsonaro reafirmou que, se depender dele, só falta o filho aceitar a indicação e o Senado aprovar. Na noite de quinta, o deputado afirmou que, se for realmente indicado, aceita e renuncia ao mandato.

“Não depende de mim, depende do meu filho aceitar e do Senado que vai sabatiná-lo. Agora, vocês querem que eu coloque quem? Celso Amorim nos EUA, que é do Itamaraty?”, disse o presidente. Amorim foi chanceler durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro ainda lembra que o último ministro de Relações Exteriores, o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira, não era diplomata e nem tinha formação na área, mas “ninguém falava nada”.

Eu tenho certeza absoluta que o Eduardo Bolsonaro é muito melhor do que eu. A sua vivência, a sua educação, a sua formação.Jair Bolsonaro, presidente

“Logicamente eu tenho muito mais experiência do que ele, em muitos momentos quem tem a razão sou eu... filho para mim vai ser sempre subordinado meu”, completou.

Em um café da manhã com jornalistas, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, admitiu que a indicação “deu polêmica”, mas lembrou que é um processo que ainda precisa passar pelo Senado.

“O presidente tem seus momentos de pronunciamento”, disse o ministro, lembrando do anúncio de que a embaixada brasileira em Israel seria transferida para Jerusalém e a polêmica causada pelo anúncio. “E onde a embaixada está hoje? Em Tel Aviv”, lembrou o ministro, ressaltando que não estava comparando os dois anúncios.

Ramos admitiu que o momento do anúncio pode não ter sido o melhor, em meio à reforma da Previdência, já que vários deputados, na noite de quinta, criticaram o caso na tribuna da Câmara.

“Poderia anunciar semana que vem, no recesso? Talvez. Acabou sendo usado na votação. Deu margem para o pessoal falar”, disse, o ministro, que destacou no entanto que Eduardo é um “jovem preparado”.

Resposta de Eduardo

Em relação ao convite do pai, Eduardo afirmou que pretende responder até domingo.“Pretendo até domingo conversar com o presidente para podermos ter uma conversa mais franca e com mais definições”, disse Eduardo ao sair de um encontro com Araújo, na manhã desta sexta, no Itamaraty.

Ao ser questionado sobre a escolha, Eduardo defendeu também seu currículo. Disse não ser apenas “um filho de deputado que vindo do nada” iria ser nomeado embaixador.

“Tenho um trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine, no frio do Colorado, aprimorei meu inglês, vi como é o trato receptivo do americano com os brasileiros”, defendeu.

Tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA.Eduardo Bolsonaro

“Então é um trabalho que pode ser desenvolvido. Precisaria contar com a ajuda dos colegas do Itamaraty, os diplomatas, porque vai se um desafio grande, mas acho que tem tudo que dar certo.”

Se for confirmada sua indicação, Eduardo tem que passar por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado e ser aprovado na comissão em uma votação secreta e, depois, pelo plenário, também em votação secreta.

Questionado se teria apoio dos parlamentares, o deputado disse acreditar que sim. Citou para isso o fato de, na noite de quinta, ao ter sua indicação criticada na Câmara por uma deputada da oposição, outros parlamentares terem passado a gritar seu nome no plenário/