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19/09/2020 18:12 -03

Brasil chega a 136 mil mortes por covid-19, e Bolsonaro diz que País está 'no caminho certo'

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 33.927 notificações e 931.673 casos confirmados.

O total de mortes causadas pela covid-19 Brasil chegou a 136.532 neste sábado (19), de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. São 739 registros a mais em 24 horas.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 33.927 notificações, seguido pelo Rio de Janeiro, com 17.364, Ceará (8.801), Pernambuco (8.004) e Pará (6.451).

Quanto aos diagnósticos, são 4.528.240 casos confirmados, 33.057 a mais em relação ao balanço de sexta (18).

Em meio a este cenário, o presidente Jair Bolsonaro disse, neste sábado, que foi motivo de chacota, mas que “graças a Deus” estava no caminho certo no enfrentamento à pandemia.

A declaração foi dada em visita evento da Assembleia de Deus, no Distrito Federal, em que o mandatário provocou aglomerações.

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Bolsonaro em visita evento da Assembleia de Deus, no Distrito Federal, em que o mandatário provocou aglomerações.

“Se Deus quiser, voltamos à normalidade ainda no corrente ano”, disse. “Quis o destino também que na área da saúde, aos poucos, ao se deixar de politizar a única alternativa que nós tínhamos, começasse a salvar-se mais vidas no Brasil também”. Para o presidente, o Brasil foi o País que se saiu melhor em termos econômicos no combate à pandemia em todo o mundo. 

Na sexta, em cerimônia de entrega de títulos de propriedades rurais em Sorriso (MT), Bolsonaro já havia minimizado os efeitos da covid-19. Ele parabenizou produtores agrícolas por não entrarem na “conversinha mole de ficar em casa”.

“Vocês não pararam durante a pandemia. Vocês não entraram na conversinha mole de ‘fica em casa’. Isso é para os fracos”, disse a plateia de produtores.

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Homem trabalha em cemitério do Rio de Janeiro, durante a pandemia da covid-19.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, atrás apenas dos Estados Unidos.

Quanto ao número de casos, está em terceiro lugar, atrás da Índia e dos norte-americanos. Há diferenças entre as taxas de testagem dos 3 países, o que evidencia a subnotificação. No território norte-americano, foram registrados mais de 6,4 milhões de casos e a média de testes diários é de 139 mil por 100 mil habitantes, segundo a universidade. No Brasil, a média é 37 por 100 mil habitantes. Na Índia, são 4,5 milhões de diagnósticos e a média é de 1 por 100 mil.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil ocupa a 10ª posição tanto em relação casos quanto a óbitos, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). São 19.749,25 diagnósticos por milhão de habitantes e 604,72 mortes por milhão.

O novo coronavírus já causou mais de 950 mil mortes no mundo. São cerca de 30,6 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados neste sábado.

Quem morre por covid-19 no Brasil?

Quanto aos dados de SRAG (síndrome respiratória aguda grave), em 2020 foram notificadas 669.606 hospitalizações, sendo 351.734 (52,5%) identificadas como covid-19, 225.313 (33,6%) causadas por agente não especificado, 85.592 (12,8%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

Quanto aos óbitos por SRAG, são 176.814 contabilizados no ano, sendo 122.772 (69,4%) por covid-19, 50.553 (28,76%) causados por agente não especificado, 2.506 (1,4%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

O perfil das vítimas de covid-19 é 73% acima de 60 anos, 58% do sexo masculino e 63,3% com menos um fator de risco, como cardiopatia ou diabetes.

Quanto à raça/cor, 36,8% das mortes foram de pessoas identificadas como pardas, seguidas por brancas (31,3%), pretas (5,4%), amarelas (1,2%) e indígenas (0,4%). Segundo o boletim, 25% dos registros não tinham essa informação.

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Há também um atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 6.500.852 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 5.675.174 exames moleculares haviam sido processados até 5 de setembro. A taxa de positividade era de 32,7% nos laboratórios públicos e de 40,5% nos particulares. A OMS recomenda que essa taxa esteja em torno de 5%.

De acordo com painel da pasta, 8.004.800 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 7.506.299 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.  

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