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21/11/2020 09:15 -03

Bolsonaro se cala sobre assassinato no Carrefour e chama de 'lixo' quem 'prega discórdia'

“Como homem e como presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor", disse presidente em rede social.

Adriano Machado / Reuters
Em posts no Twitter atacando protestos no Dia da Consciência Negra, Bolsonaro sequer citou o assassinato de João Alberto Silveira Freitas em uma loja da rede Carrefour em Porto Alegre.

No dia seguinte ao homicídio que vitimou João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, em uma loja do Carrefour em Porto Alegre (RS), que aconteceu na noite de quinta (19), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sem citar o assassinato, usou sua conta no Twitter para atacar quem classificou como promovedores da discórdia e conflito.

“Aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história. Quem prega isso está no lugar errado. Seu lugar é no lixo!“, afirmou na postagem.

O presidente do Brasil também não fez qualquer menção ao Dia da Consciência Negra em sua mensagem na rede social, fazendo questão de indicar que o País é uma “grande família”. “Somos um povo miscigenado. Brancos, negros, pardos e índios compõem o corpo e o espírito de um povo rico e maravilhoso”, reiterou o presidente.

“Como homem e como presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor. Não existe uma cor de pele melhor do que as outras. Existem homens bons e homens maus. São nossas escolhas e valores que fazem a diferença“, completou.

Veja aqui a mensagem completa do presidente Bolsonaro em sua conta no Twitter:

Ainda nesta sexta (20), data marcada pelo Dia da Consciência Negra, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) lamentou o crime ocorrido em Porto Alegre, mas disse que não houve racismo na morte de João Alberto Silveira Freitas. 

“Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar, isso não existe aqui. Eu digo para você com toda tranquilidade, não tem racismo”, afirmou Mourão à repórteres.

Assim que a notícia sobre o assassinato de João Alberto Silveira Freitas em uma loja do Carrefour, espancado até a morte por dois seguranças, protestos em diversas cidade brasileiras toraram conta do Dia da Consciência Negra. Principalmente em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, onde uma unidade da rede de supermercados foi apedrejada por manifestantes na Rua Pamplona, nos Jardins, área nobre da cidade.