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29/08/2019 19:02 -03 | Atualizado 29/08/2019 19:09 -03

Bolsonaro chama Moro de ‘patrimônio nacional’ em evento e ameniza desgaste

Durante lançamento do projeto-piloto de segurança "Em Frente Brasil" nesta quinta-feira (29), presidente e ministro da Justiça trocaram elogios.

Depois de abrir uma crise com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e com a Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro usou o lançamento do programa de segurança “Em Frente Brasil”, nesta quinta-feira (29), para elogiar o ministro, a quem chamou de “patrimônio nacional”.

Bolsonaro, que nos últimos dias disse que é ele quem indica o diretor-geral da Polícia Federal, órgão subordinado à pasta dirigida por Moro, também agradeceu o ministro por ter desistido de 22 anos de magistratura.

“Obrigado, Sergio Moro. Vossa Senhoria abriu mão de 22 anos de magistratura não para entrar em uma aventura, mas para entrar na certeza de que todos nós juntos podemos sim fazer melhor pela nossa pátria”, disse o presidente.

A cerimônia desta quinta marcou o lançamento do primeiro programa efetivo do Ministério da Justiça contra crimes violentos, com um programa-piloto de atendimento em cinco cidades com alto índice de homicídios. Bastante aplaudido, Moro também elogiou o presidente.

″É importante destacar, e isso não tem tido a necessária exposição na imprensa, que a criminalidade vem reduzindo no governo Bolsonaro significativamente. Não me lembro de outro período histórico em que tivesse ocorrido uma redução de 20% nos homicídios nos quatro primeiros meses”, afirmou.

Mal-estar e desgaste entre Moro e Bolsonaro

EVARISTO SA via Getty Images
Moro, ministro da Justiça, ao lado do presidente Jair Bolsonaro e de Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, no lançamento do programa “Em Frente Brasil”.

Nas últimas semanas, circularam em Brasília informações de que as relações entre Bolsonaro e Moro não estavam boas, e o próprio presidente deu indícios de que não estava feliz com seu ministro mais estrelado.

O presidente impediu a continuidade de Roberto Leonel, responsável pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), na Unidade de Inteligência Financeira do Banco Central, órgão que sucedeu o Coaf quando ele foi transferido para o Banco Central. Leonel era uma indicação pessoal de Moro, com quem tinha proximidade. Auditor da Receita Federal, ele trabalhou com a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

REUTERS/Adriano Machado
O presidente Jair Bolsonaro (à esq.) e o ministro da Justiça, Sérgio Moro (à dir.) em lançamento de novo programa de segurança em cidades violentas do Brasil.

Depois desse primeiro golpe, Bolsonaro confirmou que havia indicado uma troca na chefia da Superintendência da PF no Rio de Janeiro, unidade que investiga seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Depois, questionado sobre uma possível ingerência no órgão, disse que era ele quem mandava na PF e, se fosse o caso, poderia mudar o próprio diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo.

Valeixo é um dos delegados da PF mais próximos a Moro e chefiava a força-tarefa policial da Lava Jato em Curitiba até ser convidado para ser diretor-geral. Valeixo não foi à cerimônia no Planalto, apesar de constar na sua agenda.

No final de semana, quando um apoiador pediu, em sua página no Facebook, que Bolsonaro “cuide bem” do ministro, porque tinha votado em um governo formado pelo presidente, Paulo Guedes, ministro da Economia e Moro, o presidente respondeu que “com todo respeito a ele, mas o mesmo não esteve comigo durante a campanha, até que, como juiz, não poderia”.