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18/04/2019 15:27 -03 | Atualizado 18/04/2019 15:29 -03

Bolsonaro diz que País precisa da imprensa para que democracia 'não se apague'

Raro aceno à mídia se dá após STF censurar matéria de revista sobre presidente da Corte, Dias Toffoli

ASSOCIATED PRESS
“Nós precisamos de vocês [mídia] para que a chama da democracia não se apague, precisamos de vocês cada vez mais”, disse Bolsonaro, durante comemoração do Dia do Exército, em São Paulo.

Em um raro aceno à imprensa - um de seis principais alvos desde a campanha -, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (18) que o Brasil precisa cada vez mais da mídia para que a “chama da democracia não se apague”.

A declaração também foi feita logo depois de oSupremo Tribunal Federal (STF)ter ordenado que a revista Crusoé retirasse do ar uma reportagem que citava o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, no âmbito de um inquérito sigiloso para apurar notícias falsas e crimes contra a honra de ministros do STF.

Sem fazer referência ao caso, Bolsonaro disse que, apesar de “alguns percalços” que ele teve com a mídia, “nós precisamos de vocês para que a chama da democracia não se apague, precisamos de vocês cada vez mais”.

“Palavras, letras e imagens que estejam perfeitamente emanadas com a verdade. Nós, juntos, trabalhando com esse objetivo, faremos um Brasil maior, grande e reconhecido em todo cenário mundial”, afirmou, durante discurso na comemoração do Dia do Exército, em São Paulo.

Na terça-feira, Bolsonaro já havia feito uma defesa da liberdade de expressão, classificando-a como “direito legítimo e inviolável”, em uma publicação no Twitter.

Na semana passada, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Crusoé retirasse do ar uma reportagem que apontava suposta ligação de Dias Toffoli, com a Odebrecht, sem indicar qualquer suposto crime que o presidente do STF teria cometido.

O inquérito sigiloso, do qual a decisão fez parte, foi aberto por portaria do presidente do Supremo, que tem por objetivo apurar a existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de crimes de honra, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo, membros e familiares, extrapolando a liberdade de expressão, segundo documento do tribunal.

A abertura do inquérito e a decisão de determinar que a reportagem fosse retirada do ar foram alvo de críticas de parlamentares e de entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O inquérito sigiloso também gerou embates entre a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que chegou a anunciar o arquivamento da investigação, e Moraes, que rejeitou a medida de Dodge e manteve o inquérito, agora prorrogado por Toffoli por 90 dias.

Na quarta-feira, o presidente do Supremo disse que a liberdade de expressão não é absoluta e não pode ser utilizada para alimentar o ódio e a intolerância, durante discurso em que não citou a decisão de Moraes.