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04/09/2019 11:57 -03 | Atualizado 04/09/2019 12:04 -03

Bolsonaro ataca pai de Bachelet e diz que ela defende 'direitos humanos de vagabundos'

Alta comissária da ONU para direitos humanos criticou violência policial e "diminuição do espaço cívico e democrático" no Brasil.

FABRICE COFFRINI via Getty Images
O presidente também atacou o pai de Bachelet, Alberto Bachelet, general da Força Aérea do Chile que foi opositor do golpe militar liderado por Pinochet.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (4) que a chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, se intromete na soberania e nos assuntos internos do Brasil, defende “direitos de vagabundos” e atacou pai da ex-presidente do Chile, morto pela ditadura de Pinochet.

A ex-presidente do Chile, na manhã desta quarta-feira (4), apontou um aumento da violência policial e uma redução do espaço cívico e democrático no País.

Segundo Bolsonaro, Bachelet segue a mesma linha do presidente da França, Emmanuel Macron, com quem o líder brasileiro travou um embate diplomático sobre questões ambientais em decorrência de críticas do mandatário francês sobre o aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia.

“Michelle Bachelet, comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, escreveu Bolsonaro no Twitter.

O presidente também atacou o pai de Bachelet, Alberto Bachelet, general da Força Aérea do Chile que foi opositor do golpe militar liderado por Pinochet morto pela ditadura militar chilena. Ele foi preso e torturado pelo regime e morreu sob custódia, em fevereiro de 1974.

“Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”, acrescentou Bolsonaro, fazendo referência ao ano de início da ditadura militar chilena que governou o país com mão de ferro até 1990.

EVARISTO SA via Getty Images

Ainda na manhã desta quarta, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro reiterou as críticas à Bachelet feita nas redes sociais.

“Ela agora vai na agenda de direitos humanos. Está acusando que eu não estou punindo policiais que estão matando muita gente no Brasil. Essa é a acusação dela. Ela está defendendo direitos humanos de vagabundos”, disse.

Bolsonaro ainda afirmou que, “quando tem gente que não tem o que fazer, como a senhora Michelle Bachelet, vai lá para cadeira de direitos humanos da ONU”.

As afirmações de Bolsonaro foram uma resposta a declarações dadas mais cedo nesta quarta-feira por Bachelet em entrevista coletiva em Genebra, em que apontou aumento expressivo no número de mortes cometidas pela polícia no Rio de Janeiro e em São Paulo, principalmente contra negros e moradores de favelas, além de uma “diminuição do espaço cívico e democrático” no País.

“Temos visto um aumento marcado na violência policial em 2019 em meio a um discurso público que legitima execuções sumárias e a uma ausência de responsabilização”, disse. “Também estamos preocupados com algumas medidas recentes como a desregulamentação das regras de armas de fogo, e propostas de reformas para reforçar o encarceramento e levando à superlotação de prisões, aumentando ainda mais as preocupações de segurança pública”, afirmou Bachelet.

“Obviamente, também é importante para nós quando ouvimos negações de crimes passados do Estado que se exemplificam com celebrações propostas do golpe militar, combinadas com um processo de transição jurídica que pode resultar em impunidade e reforçar a mensagem de que os agentes do Estado estão acima da lei e estão, na prática, autorizados a matar sem serem responsabilizados.”

Bachelet foi presidente do Chile em duas oportunidades, de 2014 a 2018 e de 2006 a 2010. Ela assumiu o posto de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos em setembro do ano passado.