NOTÍCIAS
17/06/2020 10:43 -03 | Atualizado 17/06/2020 10:51 -03

Após ação da PF contra apoiadores, Bolsonaro diz que tomará 'medidas legais'

Na manhã desta quarta, o presidente afirmou a apoiadores que há abusos do Supremo Tribunal Federal e que 'está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar'

Depois de mais uma operação que atingiu aliados, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para afirmar na noite de terça-feira (16) que não pode “assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas” e que tomará “todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade dos brasileiros”.

Já na manhã desta quarta, em conversa com apoiadores, ele afirmou que há abusos do Supremo Tribunal Federal e que “está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar”.

Ao ouvir uma apoiadora que fazia parte do grupo de extrema-direita 300 pelo Brasil afirmar que seria presa, Bolsonaro se irritou com o que considerou conselhos da mulher e disse saber o que está fazendo.

“Estou fazendo exatamente o que tem que ser feito. Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando, isso está a olhos vistos. O ocorrido no dia de ontem, quebrar sigilo de parlamentar, não tem história vista numa democracia por mais frágil que seja. Está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar”, disse.

Além da operação de busca e a apreensão da Polícia Federal que envolveu 21 aliados bolsonaristas, incluindo o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático (de comunicações) de 11 deputados federais.

Além de Silveira, estão na lista Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP), também muito próximas a Bolsonaro. As investigações apuram o financiamento de manifestações de cunho antidemocrático que pedem uma intervenção militar no Brasil e o fechamento do Supremo e do Congresso Nacional.

Bolsonaro disse ainda que terrorismo é “meter carro-bomba em guarita do Exército”, e não “isso que alguns estão achando por aí”. O presidente disse ainda que “vai chegar a hora”, sem, no entanto, dizer ao que estava se referindo. 

Na postagem da noite de terça, Bolsonaro tinha defendido a suposta liberdade de expressão dos acusados. “Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas”, escreveu.

Bolsonaro afirmou que “abusos” foram presenciados nas últimas semanas e o governo reagiu com “cautela”, “cobrando, com o simples poder da palavra, o respeito e a harmonia entre os Poderes. “Essa tem sido nossa postura, mesmo diante de ataques concretos”, afirmou.

O presidente teve várias reuniões na terça-feira em que tratou da operação, mas não falou sobre o caso. À noite, fez a sequencia de tuítes. Bolsonaro criticou ainda quem classifica o governo como autoritário. Na mesma terça-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou ser inconcebível que ainda existam “resquícios de autoritarismo” no país.

Adriano Machado / Reuters
“Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas”, escreveu Bolsonaro no Twitter.

“Queremos, acima de tudo, preservar a nossa democracia. E fingir naturalidade diante de tudo que está acontecendo só contribuiria para a sua completa destruição. Nada é mais autoritário do que atentar contra a liberdade de seu próprio povo”, escreveu.

“Só pode haver democracia onde o povo é respeitado, onde os governados escolhem quem irá governá-los e onde as liberdades fundamentais são protegidas. É o povo que legitima as instituições, e não o contrário. Isso sim é democracia.”

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost