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04/08/2019 16:10 -03 | Atualizado 04/08/2019 16:25 -03

Bolsonaro sobre massacres nos EUA: 'Não é desarmando o povo que você vai evitar'

Presidente comentou os ataques a tiros que deixaram 30 mortos e 52 feridos neste fim de semana no Texas e Ohio.

Adriano Machado / Reuters
Presidente também voltou a defender a nomeação do filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o posto de embaixador brasileiro nos EUA.

O presidente Jair Bolsonaro comentou neste domingo (4) os dois ataques a tiros ocorridos neste final de semana nos Estados Unidos, que resultaram em 30 mortos.

Na tarde deste sábado (3), um atirador matou 20 pessoas em El Paso, no Texas, e foi preso pela polícia. Em menos de 24 horas, na manhã deste domingo, outro atirador fez 9 vítimas na cidade de Dayton, em Ohio e foi morto pela polícia em seguida. Outras 52 pessoas ficaram feridas nos dois ataques. 

Bolsonaro lamentou os episódios e negou que massacres como esses sejam evitados “desarmando o povo”. 

“Lamento, já aconteceu no Brasil também. Lamento. Agora, não é desarmando o povo que você vai evitar isso aí. O Brasil é, no papel, extremamente desarmado e já aconteceu coisa semelhante aqui no Brasil”, afirmou o presidente na porta do Palácio da Alvorada, em Brasília.

Os motivos por trás dos dois ataques estão sendo investigados pela polícia.

Até agora sabe-se que o atirador de El Paso é um homem branco de 21 anos que teria postado em uma plataforma online um manifesto racista horas antes do ataque. Não foram divulgadas informações sobre o atirador de Dayton.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o tiroteio em El Paso como “um ato de covardia”. “Eu sei que estou com todos neste país para condenar o ato odioso de hoje. Não há razões ou desculpas que justifiquem a morte de pessoas inocentes ”, escreveu no Twitter.

 

Na manhã deste domingo, em outro post, Trump lamentou as mortes e elogiou a atuação do FBI nos dois casos. “Deus abençoe o povo de El Paso, Texas. Deus abençoe o povo de Dayton, Ohio”, escreveu.

 

 

Embaixada nos EUA e parentes em gabinetes

Na mesma entrevista, Bolsonaro voltou a defender a nomeação do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.  

“Que mania que todo parente de político não presta? Eu tenho um filho que está para ir para os Estados Unidos e foi elogiado pelo Trump. Vocês massacraram meu filho, a imprensa massacrou, (chamou de) fritador de hambúrguer”, disse. Bolsonaro. 

A relação do Eduardo, caso aprovado pelo Senado, vai ser, no meu entender, muito boa com o Trump, o embaixador é um cartão de visitas”, completou.

Bolsonaro também afirmou que tem conversado sobre essa questão com alguns senadores - os responsáveis pela aprovação de indicados para embaixadas - e definiu como “hipocrisia” as críticas feitas à indicação do filho para a embaixada em Washington.

“O Senado pode barrar o meu filho sim. Agora imagina se no dia seguinte eu demita o Ernesto Araújo e coloque o meu filho no Ministério das Relações Exteriores. Ele não vai ser o embaixador, ele vai comandar, entre embaixadores e agregados, 200 mundo afora. E daí? Alguém vai tirar o meu filho de lá? Hipocrisia. Hipocrisia de vocês”, afirmou o presidente.

O presidente rebateu ainda a reportagem do jornal O Globo, que mostra que, desde 1991, ele e seus filhos parlamentares empregaram 102 pessoas com algum parentesco ou relação familiar entre si.

Inicialmente, Bolsonaro chamou a reportagem de “mentira deslavada”, dizendo que sequer possui 102 parentes.

Após ser alertado por jornalistas de que a reportagem aponta também familiares de funcionários, Bolsonaro admitiu ter empregado parentes em seu gabinete antes do Superior Tribunal Federal (STF) proibir esse tipo de nomeação.

“Já botei parentes no meu gabinete, já botei no passado sim. Antes da decisão de que nepotismo seria crime. Qual o problema?”, questionou.

“Que mania que tudo quanto é parente de político não presta. [...] Eu parto do princípio que, se eu indicar um filho meu, como já indiquei, no passado ele trabalhou na liderança do partido, não é nepotismo, pô, ele tinha competência para isso. Confiança”, continuou.

″É natural quando alguém vai embora do meu gabinete, alguém morre até, já aconteceu, no velório tem dez pedindo emprego, tudo parente que está do meu lado. E é natural botar quem está do seu lado”, completou Bolsonaro.