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05/06/2020 11:14 -03 | Atualizado 05/06/2020 11:19 -03

Bolsonaro pede que 'forças federais' contenham manifestações de 'marginais' e 'maconheiros terroristas'

Presidente voltou a orientar apoiadores para que não saiam às ruas no domingo e disse que manifestantes contrários a ele 'querem quebrar o Brasil'.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a chamar os manifestantes de grupos pró-democracia contrários ao seu governo de “marginais” e “terroristas” e pediu que as forças de segurança do país atuem contra as manifestações marcadas para domingo se os grupos “extrapolarem” os limites.

Bolsonaro pediu que seus apoiadores não façam manifestações no domingo e afirmou que os manifestantes contrários a seu governo são “marginais, maconheiros terroristas, que querem quebrar o Brasil em nome de uma democracia que nunca souberam o que é e nunca zelaram por ela”.

“O outro lado, que luta por democracia, que quer o governo funcionando, quer um Brasil melhor e preza por sua liberdade, que não compareçam às ruas nestes dias para que as forças de segurança, não só estaduais, bem como a nossa, federal, façam seu devido trabalho porventura estes marginais extrapolem os limites da lei”, disse Bolsonaro, durante a inauguração do hospital de campanha da cidade de Águas Lindas de Goiás, no entorno de Brasília, que será usado para atender vítimas do novo coronavírus.

Em sua fala, o presidente chegou a dizer que espera um abrandamento da epidemia para que a economia volte a girar, mas não citou o novo recorde de mortes pela doença registrado na quinta-feira, que fez o Brasil ultrapassar a Itália e se tornar o terceiro país do mundo em óbitos causados pela Covid-19.

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Manifestantes protestam contra Bolsonaro no último dia 2 em Manaus

Na escalada da pandemia, o Brasil, com um novo recorde de mortes, superou a Itália nesta quinta-feira (4) e se tornou o terceiro país com mais vítimas fatais de covid-19. Ao todo, são 34.021 mortes e 614.941 casos confirmados no país até agora, segundo dados do Ministério da Saúde.

Partidos opositores pedem adiamento de protesto 

Na quinta, líderes de diferentes partidos do Senado Federal pediram, por meio de nota, para os brasileiros em oposição ao governo Bolsonaro não irem às ruas no próximo domingo por causa da pandemia do novo coronavírus. A nota é assinado por líderes da Rede, do PSB, do PDT, do Cidadania, do PSD e do PT.

“Nosso pedido parte da avaliação de que, não tendo o país ainda superado a pandemia, que agora avança em direção ao Brasil profundo, saindo das capitais e agravando nos interiores, precisamos redobrar os cuidados sanitários e ampliar a comunicação com a sociedade em prol do distanciamento social”, diz trecho da nota, antecipada pela Folha de S.Paulo.

“Adiaremos à ida às ruas, pelo bem da população, até que possamos, sem riscos, ocupá-las, em prol da população”, completa.

A nota ressalta “a escalada autoritária do governo federal”, mas enfatiza que é dever “preservar a vida e segurança dos brasileiros, não dando ao governo aquilo que ele exatamente deseja, o ambiente para atitudes arbitrárias”.

Os líderes que “ainda não é o momento, em respeito às famílias de vítimas do Coronavírus e também daqueles que até hoje tem respeitado e com razões, baseado nos melhores estudos científicos, o isolamento como a melhor alternativa de combate à covid-19”.

“Continuaremos firmes na oposição das mais diversas formas que a situação pandêmica nos permite.”

Assinam a nota os senadores: Randolfe Rodrigues (Rede), Eliziane Gama (Cidadania), Weverton Rocha (PDT), vice-líder Jaques Wagner, (PT), Veneziano Vital do Rego (PSB) e Otto Alencar (PSD).