OPINIÃO
15/03/2020 14:17 -03 | Atualizado 15/03/2020 14:56 -03

Em ato de irresponsabilidade, Bolsonaro celebra aglomeração e abraça apoiadores

Há 3 dias, presidente havia afirmado em rede nacional que manifestação deveria ser adiada por haver 'recomendação para que evitemos grandes concentrações populares'.

Em um movimento de extrema irresponsabilidade, o presidente Jair Bolsonaro não só passou o fim da manhã de domingo (15) postando vídeos de apoiadores aglomerados em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador, como deixou o isolamento no Alvorada e abraçou manifestantes em meio a um surto de coronavírus.

No Brasil, há pelo menos 121 casos confirmados, mas há uma expectativa de explosão de casos nos próximos dias. O coronavírus já infectou mais de 142,5 mil pessoas e matou 5.393 em todo o mundo. 

O Ministério da Saúde e governos estaduais recomendaram, na última sexta-feira (13) que a população evitasse locais com grande concentração de pessoas para conter o avanço do coronavírus. Também há orientação para que as pessoas evitem se cumprimentar com aperto de mãos e beijos.

 

O próprio Bolsonaro havia declarado, em rede nacional, na noite de quinta (12), que “há recomendação das autoridades sanitárias para que evitemos grandes concentrações populares”.

“Queremos um povo atuante e zeloso com a coisa pública, mas jamais podemos colocar em risco a saúde da nossa gente. Os movimentos do dia 15 de março são espontâneos e legítimos e atendem o interesse da nação, balizados pela lei e pela ordem, demonstram o amadurecimento da nossa democracia presidencialista e são expressões evidentes de nossa liberdade. Precisam, no entanto, diante dos fatos recentes ser repensados”, afirmou, na quinta.

Bolsonaro esteve, ele próprio, exposto ao coronavírus. Seu secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, testou positivo para a covid-19 depois que eles retornaram de uma viagem aos Estados Unidos.

O presidente divulgou na sexta (13) que seus testes deram negativo, mas, devido ao tempo que esteve próximo de Wajngarten, ele foi orientado a ficar em isolamento e fazer um novo teste na próxima semana, segundo o jornal Estado de S. Paulo.   

Além de Wajngarten, outras três pessoas que integraram a comitiva brasileira nos Estados Unidos testaram positivo: o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o encarregado de negócios do Brasil em Washington, embaixador Nestor Forster, e a advogada do presidente e tesoureira do Aliança pelo Brasil, Karina Kufa.

Ao divulgar os vídeos pelo Twitter - e não reforçar a orientação para que sejam evitadas aglomerações -, Bolsonaro expõe os apoiadores a uma situação que o próprio Ministério da Saúde considera um risco.

Como se não bastasse, Bolsonaro também decidiu sair do isolamento no Alvorada no início da tarde de domingo e seguiu para a frente do Planalto, onde chegou a cumprimentar, com aperto de mão e abraços, os apoiadores. 

Reprodução/ Facebook
Apesar da orientação para que ficasse em isolamento, Bolsonaro deixou o Alvorada e cumprimentou e abraçou apoiadores em frente ao Planalto.

Bolsonaro já havia demonstrado menosprezo pelo perigoso avanço do coronavírus em outras ocasiões, inclusive quando divulgou que não estava contaminado - postando uma foto fazendo sinal de “banana”. 

Mas incentivar que as pessoas se concentrem nas ruas quando os mais importantes infectologistas e até o seu ministro da Saúde orientam exatamente o contrário é de uma irresponsabilidade sem precedentes para um presidente.