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06/04/2020 09:41 -03

Seguindo fritura de Mandetta, Bolsonaro destaca ministros que seriam 'verdadeiros patriotas'

Presidente posta foto com generais Heleno (GSI) e Azevedo (Defesa); No domingo, Bolsonaro afirmou que pode 'usar caneta' contra ministros que estão 'se achando'

Seguindo seu tradicional método de fritura de subordinados, o presidenteJair Bolsonaro postou em seu perfil no Twitter uma foto com dois ministros que seriam os “verdadeiros patriotas” de seu governo. O recado foi dado em meio ao confronto aberto com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante a pandemia docoronavírus.

Na imagem, em resolução ruim, aparecem ao lado de Bolsonaro o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e o general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa. ”É na adversidade que conhecemos os verdadeiros patriotas”, diz o texto que acompanha a foto.

Na véspera, Bolsonaro já havia dito que algumas pessoas de seu governo estavam “se achando” e que ele não teria medo de “usar a caneta” quando “chegar a hora deles”. Na quinta-feira passada, ele afirmou que nenhum ministro era “indemissível”.

“Algumas pessoas do meu governo, subiu à cabeça deles, estão se achando. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas, falam pelos cotovelos, tem provocações”, disse o presidente ao grupo de evangélicos no domingo em frente ao Palácio da Alvorada.

“Mas a hora deles não chegou ainda não, vai chegar a hora deles, porque a minha caneta funciona. Não tenho medo de usar a caneta, nem pavor, e ela será usada para o bem do Brasil, não é para o meu bem. Nada pessoal meu”, acrescentou Bolsonaro enquanto seus apoiadores respondiam “amém”.

Bolsonaro tem defendido o fim do isolamento social de toda a população e que apenas integrantes dos grupos de risco fiquem em casa para conter a disseminação do vírus. Mandetta, por sua vez, tem defendido o isolamento da população para dar tempo de o sistema de saúde se preparar para o pico da pandemia, contrariando o desejo do presidente.

Ele também recomendou à população que siga as orientações dos governadores na crise, apesar de Bolsonaro ser crítico ferrenho das medidas de restrição à circulação adotadas pelos chefes dos Executivos estaduais.

Baixa popularidade de Bolsonaro e suas medidas

As ameaças de Bolsonaro, no entanto, não parecem encontrar apelo nos números. Segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (3), o Ministério da Saúde, comandado por Mandetta, tem uma aprovação mais de duas vezes superior à atribuída a Bolsonaro. 

De acordo com o levantamento, 76% dos entrevistados aprovam o desempenho do ministério, número que era de 55% na pesquisa anterior feita entre 18 e 20 de março. Já Bolsonaro viu sua aprovação oscilar para baixo dentro da margem de erro, de 35% para 33%, mostrou a pesquisa publicada no site do jornal Folha de S.Paulo.

Já o isolamento social como ferramenta de combate à disseminação do coronavírus, duramente criticado por Bolsonaro e defendido por Mandetta, tem apoio de 76% da população, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira.

Segundo os dados, apenas 18% entendem que é mais importante acabar com o isolamento para estimular a economia em meio à pandemia de covid-19, doença provocada pelo coronavírus e que já tem mais de 11 mil casos no Brasil, além de 486 mortes, segundo o Ministério da Saúde. O percentual dos que não responderam é de 6%.

Ainda de acordo com o Datafolha, 65% entendem que o comércio não essencial deve permanecer fechado, contra 33% que avaliam que deveria ser reaberto e 2% que não responderam. Além disso, 87% se manifestaram a favor de que as aulas sigam suspensas, enquanto 11% defenderam que elas voltem e 2% não responderam.

O levantamento apontou ainda um apoio de 71% à proibição de sair de casa para quem não trabalha em serviço essencial, ao passo que 26% são contra, 1% é indiferente e 2% não responderam.

O Datafolha ouviu 1.511 pessoas por telefone entre os dias 1 e 3 de abril. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais.