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27/04/2019 11:31 -03 | Atualizado 27/04/2019 13:47 -03

Bolsonaro defende veto a diversidade em campanha do Banco do Brasil: 'Não é a minha linha'

Propaganda com atores brancos, negros e LGBTs foi retirada do ar a pedido do presidente nesta semana.

Associated Press
“A linha mudou, a massa quer respeito a família, ninguém quer perseguir minoria nenhuma", disse Jair Bolsonaro na manhã deste sábado (27).

O presidente Jair Bolsonaro disse, na manhã deste sábado (27), que não quer que dinheiro público seja utilizado em propagandas como a do Banco do Brasil, voltada para jovens e que retratava diversidade sexual e racial do País na peça. Campanha foi retirada do ar nesta semana após decisão do governo. 

“Quem indica e nomeia presidente do BB [Banco do Brasil], não sou eu? Não preciso falar mais nada então”, disse Bolsonaro na saída de um evento em Brasília, segundo o UOL. O presidente completou sua fala dizendo que “a linha mudou” e que “ninguém quer perseguir minoria nenhuma”.

“A linha mudou, a massa quer respeito a família, ninguém quer perseguir minoria nenhuma. E nós não queremos que dinheiro público seja usado dessa maneira. Não é a minha linha. vocês sabem que não é minha linha.”

Com 30 segundos de duração, a campanha publicitária do Banco do Brasil voltada para o público jovem, com atores brancos, negros e LGBTs, foi retirada do ar após Bolsonaro assistir a peça, que estava sendo veiculada na TV e internet desde 1º de abril. A propaganda deixou de circular o último dia 14.

Não é a minha linha. vocês sabem que não é minha linha.Presidente Jair Bolsonaro, em declaração a jornalistas neste sábado (27).

O caso resultou também na demissão de Delano Valentin, diretor de marketing do banco, segundo a Folha de São Paulo. As duas medidas foram atendidas pelo presidente do banco, Rubem Novaes. O veto presidencial ao comercial e a intervenção no banco foram criticados por parlamentares e artistas.

Na última sexta-feira (26), a Secretaria de Governo enviou uma nota à imprensa informando que peças publicitárias de empresas estatais não precisarão ser submetidas à Presidência da República, já que feriria a Lei das Estatais.

Reprodução/YouTube
Propaganda voltada para o público jovem, com atores brancos, negros e LGBTs foi retirada do ar a pedido do presidente nesta semana.

A nota foi divulgada após o secretário de Publicidade e Promoção, Glen Lopes Valente, ter comunicado a empresas que, a partir deste momento, campanhas publicitárias deveriam ser submetidas à Secretaria de Comunicação Social.

Segundo o G1, para explicar a decisão, ainda neste sábado, o presidente usou seus ministros como exemplo. “Eu não sou armamentista? Então ministro meu ou é armamentista ou fica em silencio. É a regra do jogo”, disse Bolsonaro.

Adriano Machado / Reuters
Jair Bolsonaro brinca com a menina Yasmin Alves, de 8 anos, em visita à sua casa na Estrutural, região periférica de Brasília (DF).

Declarações do presidente foram dadas na manhã de hoje, ao sair de visita na casa da jovem Yasmin Alves, ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Yasmin, de 8 anos participou de evento da Páscoa no Palácio do Planalto.

À época, informações diziam que ela havia se recusado a cumprimentar o presidente. Mas a discordância ocorreu por que a menina torce para o Flamengo, enquanto Bolsonaro é torcedor do Palmeiras.

“Eu perguntei quem era palmeirense e ela falou que não, nada além disso”, afirmou o presidente, na saída de sua casa, nesta manhã. “Não tentei mudá-la de time, não”, completou, segundo a Folha de São Paulo.

Reforma da previdência

Bolsonaro ainda falou sobre a reforma da Previdência, que atualmente está em tramitação na Câmara dos Deputados. Ele declarou que a reforma “não pode ser desidratada” e que o governo espera economia de 1,3 trilhão em dez anos.

“Abaixo disso apenas, como disse Paulo Guedes [ministro da Economia], vai retardar a queda do avião. O Brasil não pode quebrar. Nós temos que alçar um voo seguro para que todos possam se beneficiar da nossa economia”, disse.

Vencida a etapa da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, nesta semana, o texto da reforma da Previdência seguirá para a comissão especial para tratar exclusivamente do tema, antes de ir a votação no plenário.

Entrevista do ex-presidente Lula

O presidente também comentou entrevista que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu para o jornal Folha de S. Paulo e o El País nesta sexta-feira (26). Ele rebateu a afirmação de que o Brasil é governado por malucos.

“Pelo menos não é um bando de cachaceiro. O Lula, primeiro, não deveria falar. Ele falou besteira. Quem era o time dele? Grande (parte) está preso ou sendo processado”, afirmou Bolsonaro, ao fazer críticas ao Partido dos Trabalhadores.