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30/09/2020 13:12 -03 | Atualizado 30/09/2020 13:16 -03

Bolsonaro diz que Biden 'abre mão de convivência cordial' com declaração sobre Amazônia

Presidente disse ainda que 'não aceita suborno'; Democrata afirmou que Brasil enfrentará 'consequências econômicas significativas' caso não pare destruição da floresta.

O presidente Jair Bolsonaro classificou como “desastrosa” e “gratuita” a declaração de Joe Biden, candidato democrata à Casa Branca, sobre a Amazônia no primeiro debate entre os candidatos à presidência, na noite de terça (29). Segundo Bolsonaro, ao ameaçar o Brasil de sanções caso seja eleito, Biden sinalizou que abre mão de uma “convivência cordial e profícua”.

Biden propôs que países de todo o mundo se reúnam para fornecer US$ 20 bilhões para a preservação da Amazônia  e disse que o Brasil enfrentará “consequências econômicas significativas” caso o país não pare a destruição da floresta e se ele for eleito.

“O que alguns ainda não entenderam é que o Brasil mudou. Hoje, seu presidente, diferentemente da esquerda, não mais aceita subornos, criminosas demarcações ou infundadas ameaças. Nossa soberania é inegociável”, escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter. 

Bolsonaro disse que a cooperação com outros países na Amazônia é bem-vinda e tem conversado com o atual presidente dos EUA, Donald Trump, adversário de Biden na eleição, sobre o assunto.

Disse ainda que seu governo tem feito ações “sem precedentes” para combater o desmatamento, embora a perda florestal permaneça em patamares elevados e as queimadas na floresta aumentando.

“A cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade. Contudo, a externação por alguém que disputa o comando de seu país sinaliza claramente abrir mão de uma convivência cordial e profícua”, complementou.

“Custo entender, como chefe de Estado que reabriu plenamente a sua diplomacia com os Estados Unidos, depois de décadas de governos hostis, tão desastrosa e gratuita declaração.”

O que alguns ainda não entenderam é que o Brasil mudou. Hoje, seu Presidente, diferentemente da esquerda, não mais aceita subornos, criminosas demarcações ou infundadas ameaças. NOSSA SOBERANIA É INEGOCIÁVEL.Presidente Jair Bolsonaro, em declaração sobre fala de Joe Biden.

O debate entre Biden e o presidente norte-americano, Donald Trump, foi caótico e marcado por interrupções e insultos. Este foi o primeiro embate entre os dois antes da eleição presidencial de 3 de novembro.

Ao falar sobre o meio ambiente, Biden disse que, se vencer a eleição, recolocará os EUA no acordo climático de Paris, do qual Trump retirou os Estados Unidos, e citou a floresta amazônica e seu papel no combate às mudanças climáticas.

JIM WATSON via Getty Images
Donald Trump e Joe Biden em debate realizado na noite de ontem, terça-feira (29), nos Estados Unidos. 

“A floresta tropical do Brasil está sendo devastada, está sendo destruída”, disse Biden, afirmando que, se eleito, reunirá outros países para garantir 20 bilhões de dólares para a preservação da Amazônia.

“Aqui estão 20 bilhões de dólares. Parem de destruir a floresta e se não pararem, então enfrentarão consequências econômicas significativas”, acrescentou.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também respondeu, pelo Twitter, com ironia: “Só uma pergunta: a ajuda dos USD 20 Bi do Biden, é por ano?”. 

Assim como Bolsonaro e Salles, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, em coletiva online de imprensa, afirmou que Biden está “fazendo política” ao ameaçar o Brasil com sanções por conta de desmatamentos. 

De acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento da Amazônia entre agosto de 2019 e julho deste ano ―período usado para medir o desmatamento anual da floresta― atingiu 9.216 quilômetros quadrados, aumento de 34% na comparação com igual período anterior.

Nos meses de julho e agosto, o desmatamento caiu na comparação com os mesmos meses de 2019, embora ainda siga elevado na comparação com o registrado em anos anteriores.

A cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade. Contudo, a externação por alguém que disputa o comando de seu país sinaliza claramente abrir mão de uma convivência cordial e profícua.Presidente Jair Bolsonaro, em declaração sobre fala de Joe Biden.

Também de acordo com números do Inpe, os focos de queimadas na Amazônia em setembro até a terça-feira eram 31.349, número superior aos 19.925 focos registrados em todo setembro de 2019.

Bolsonaro, que é declarado admirador de Trump contesta as críticas internacionais sobre sua gestão ambiental e, em discurso neste mês na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que “interesses escusos” movem uma “campanha brutal de desinformação” sobre o meio ambiente brasileiro para prejudicar seu governo.

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