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02/04/2019 16:26 -03 | Atualizado 02/04/2019 18:57 -03

Em Israel, Bolsonaro diz que nazismo foi de esquerda e antecipa volta ao Brasil

“Não há dúvida, né? Partido Nacional Socialista da Alemanha”, disse o presidente sobre o partido nazista.

Alan Santos/Presidência
Bolsonaro visita o Centro de Memória do Holocausto (Yad Vashem), em Jerusalém.

Fora do Brasil desde o último sábado (30), em meio a um impasse político em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro decidiu antecipar sua volta de Israel em algumas horas para se reunir com parlamentares sobre reforma da Previdência na próxima quinta-feira (4).

Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, Bolsonaro agora chegará a Brasília duas horas antes, na noite de quarta-feira (3), e terá agenda lotada de conversas no dia seguinte.

“No dia seguinte ele já tem agendada uma série de encontros com parlamentares visando nosso objetivo principal nesse momento, que é o andamento mais célere da nossa Nova Previdência”, afirmou o porta-voz, segundo a Reuters.

Na noite de segunda-feira (1), Bolsonaro afirmou, de Israel, em entrevista à TV Record, que se a reforma não for aprovada o Brasil estará “a um passo de um caos econômico”.

“O que apresentei ao Parlamento com a reforma da Previdência não é um projeto meu ou do meu governo, é do Brasil, e o Parlamento é muito importante para aperfeiçoar essa proposta. Não pode é ficar sem votar, porque daí o Brasil perde como um todo”, disse.

 

Nazismo de esquerda

Em seu último dia de atividades em Jerusalém, Bolsonaro visitou nesta terça-feira (2) o Centro de Memória do Holocausto (Yad Vashem) e, na sequência, recebeu integrantes da comunidade brasileira em Israel em seu hotel.

Após o encontro, o presidente se irritou com as perguntas de jornalistas e concordou com declarações dadas pelo chanceler Ernesto Araújo, que, dias antes, em entrevista, afirmou que o Nazismo foi um movimento de esquerda.

“Não há dúvida, né? Partido Socialista, como é que é? Partido Nacional Socialista da Alemanha”, disse Bolsonaro, após ser lembrado do nome oficial do partido nazista, de Adolf Hitler, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.

No último sábado (30), Araújo publicou em seu blog pessoal, “Metapolítica 17”, um texto no qual expõe seus argumentos para colocar o nazismo à esquerda do espectro político.

POOL New / Reuters
Bolsonaro cumprimenta o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante visita a sinagoga em Jerusalém.

“O nazismo era anti-capitalista, anti-religioso, coletivista, contrário à liberdade individual, promovia a censura e o controle do pensamento pela propaganda e lavagem cerebral, era contrário às estruturas tradicionais da sociedade. Tudo isso o caracteriza como um movimento de esquerda”, escreveu o ministro.

Segundo ele, o “nazismo era anti-liberal e anti-conservador” e a “esquerda também é antiliberal e anti-conservadora”. ”[A direita] nunca foi anti-liberal e anti-conservadora ao mesmo tempo. Em tal sentido, o nazismo se sente muito mais confortável no campo da esquerda do que no da direita.”

No museu do Holocausto visitado nesta terça por Bolsonaro, no entanto, o partido nazista é classificado como “grupo radical de direita”.

Ao fim da visita ao local - na qual depositou flores no Hall da Memória -, Bolsonaro disse que “aquele que esquece o seu passado está condenado a não ter futuro”.

O presidente também plantou uma muda de oliveira no Bosque das Nações, local onde, em 2010, o então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva também plantou uma árvore.

Alan Santos/ Presidência
Bolsonaro planta muda de oliveira em Jerusalém.

Escritório comercial e acordos 

Na visita de três dias, Bolsonaro chamou Netanyahu de “irmão”, disse que seu governo está “firmemente decidido a fortalecer a parceria entre o Brasil e Israel” e anunciou a abertura de um escritório comercial do Brasil em Jerusalém - um passo atrás na sua promessa de transferência da embaixada, hoje em Tel Aviv, mas, mesmo assim, um aceno aos israelenses que irritou os palestinos.

A abertura do escritório foi um meio-termo um pouco mais confortável para o corpo diplomático brasileiro - que, em grande parte, não concorda com a transferência da embaixada, apesar do apoio do chanceler Ernesto Araújo à ideia de Bolsonaro.

Mudar a embaixada de local significa reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o que a Organização das Nações Unidas (ONU) não só não faz como já pediu aos países que não sediem missões diplomáticas na cidade.

Para os palestinos, Jerusalém deveria ser a capital do seu Estado independente. O Brasil reconheceu o Estado palestino em 2010 e sempre teve boas relações com os países árabes.

“A gente não quer ofender ninguém. Agora, queremos que respeitem a nossa autonomia”, disse Bolsonaro, completando que os palestinos têm “direito de reclamar”. 

Em nota, o Ministério de Relações Exteriores palestino disse que considera a medida “uma violação flagrante da legitimidade e das resoluções internacionais, uma agressão direta ao nosso povo e a seus direitos e uma resposta afirmativa para a pressão israelense-americana que mira reforçar a ocupação e a construção de assentamentos e na área ocupada em Jerusalém”.

Durante a visita de Bolsonaro, o governo também fechou cinco acordos - nas áreas de defesa, serviços aéreos, prevenção e combate ao crime organizado, ciência e tecnologia - e um memorando de entendimento em segurança cibernética.

O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota, que como produtores relevantes de gás natural, os dois países “intercambiarão melhores práticas sobre a concepção dos mercados domésticos de gás natural”.

Uma das parcerias na área de ciência, tecnologia e inovação é para o desenvolvimento de startups. Bolsonaro e Netanyahu ressaltaram que os intercâmbios entre Brasil e Israel nos campos da ciência, tecnologia e inovação sustentam as “sinergias existentes em diversas áreas” que deverão ter investimentos recíprocos.

Já o acordo de serviços aéreos garante “ampla liberdade operacional às companhias aéreas”, segundo a Agência Brasil. Eles também enfatizaram a determinação de adotar iniciativas militares conjuntas.

 

* Com informações da Reuters e da Agência Brasil