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10/04/2020 19:20 -03

Enquanto Bolsonaro esfrega nariz e cumprimenta idosos, brasileiros relaxam isolamento

Movimento aumentou em todos os estados do País, além do DF.

“Enquanto tivermos pessoas nas ruas, teremos o maior índice do país”, reclama Rosemary Pinto, diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) — estado com sistema de saúde em colapso. Este é o recado que o presidente Jair Bolsonaro insiste em desacreditar em meio à pandemia de covid-19. Nesta Sexta-Feira Santa (10) não foi diferente.

Como vem fazendo com discursos e gestos, o presidente minimizou a necessidade de isolamento social. Contra a orientação de seu próprio governo, ele saiu para dar mais de seus passeios pela capital federal. O presidente foi à farmácia, ao hospital e ao prédio em que um de seus filhos mora —  sem tomar nenhum cuidado.

Bolsonaro fez tudo que seu governo diz para não fazer: promoveu aglomeração, coçou o nariz e depois cumprimentou apoiadores — entre eles, uma idosa (integrante do grupo de risco da doença).

O presidente, como de costume, foi aplaudido, mas desta vez também foi vaiado e alvo de panelaço. Do alto de uma janela no Sudoeste, bairro nobre de Brasília, ele ouviu: “vai para casa, Bolsonaro”.

Na narrativa do presidente, no entanto, foram os repórteres que contrariaram as normas da Saúde e se aglomeraram.

O comportamento do presidente preocupa. À CNN, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, criticou a postura do presidente. “Atitudes como a do presidente, que sai tranquilamente às ruas e mostra que para ele não há perigo em nada, fazem com que hoje muitas ruas em Manaus estejam cheias de carros.”

Ele pediu apoio do Congresso para se manifestar com clareza e colocar um basta. “É fundamental que um poder não atrapalhe o outro. Para desmobilizar, basta um passeio em uma feira.”

REUTERS

No Twitter, o prefeito destacou a advertência da diretora da FVS-AM: “Depende de nós e aqui está advertência de uma técnica dizendo para as pessoas irem para casa, não fingirem que estão vivendo em um mundo normal porque o mundo não está normal, não há nada de normal nisso”.

Não é só em Manaus que as ruas estão cheias.

Imagens como esta acima têm se repetido em algumas cidades. Dados de localização mostram que as pessoas estão saindo mais às ruas. Levantamento feito pela empresa In Loco apontou aumento na movimentação em todos os estados, além do DF, em comparação com semanas anteriores.

O isolamento é a única maneira conhecida de evitar contaminação em massa pelo novo coronavírus. O Ministério da Saúde tem feito apelos para que a população evite aglomerações e permaneça em isolamento.

A previsão da pasta é que os número de casos da doença no Brasil cresça de forma acelerada. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, a expectativa é de pico de casos no fim de abril e começo de maio para unidades da Federação com taxas de incidência mais elevadas, como Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Ceará e Amazonas. 

Ele é contra o relaxamento de medidas de distanciamento social nesses locais. “Quanto ao afrouxamento das quarentenas, esses locais que estão com sinal vermelho, com aumento bastante considerável do número de casos, devemos dar a máxima atenção à mobilidade”, disse Gabbardo. 

Nos últimos 10 dias, o Brasil viu os números de mortes pela covid-19 quadruplicar. O balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira (10) indica 19.638 casos confirmados da doença e 1.057 mortes. No dia 1º, eram 6.836 diagnósticos positivos e 240 óbitos. 

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