NOTÍCIAS
05/02/2020 18:10 -03 | Atualizado 05/02/2020 18:23 -03

No marco de 400 dias de governo, Bolsonaro cobra de Weintraub investimento em educação

"Você é um ministro muito privilegiado. A educação chegou a um nível tal que não pode ser ultrapassada por ninguém porque está em último lugar.”

EVARISTO SA via Getty Images
Nesta quarta-feira (5), um grupo de parlamentares pediu o impeachment do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Na cerimônia de 400 dias de governo, o presidente Jair Bolsonaro cobrou do ministro da Educação, Abraham Weintraub, mais investimentos na área. “O Brasil precisa mudar. Se não investirmos com seriedade na educação, não teremos futuro”, disse, pouco depois de fazer uma brincadeira com Weintraub.

“Você é um ministro muito privilegiado. A educação chegou a um nível tal que não pode ser ultrapassada por ninguém porque está em último lugar.”

O presidente se referiu a declaração do ministro feita em novembro do ano passado de que o Brasil ficaria em último lugar no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), principal avaliação da educação básica no mundo. O ranking, divulgado em dezembro, com base em provas feitas em 2018, mostrou o País entre os piores, mas não em último.

A situação de Weintraub, no entanto, é delicada. Há pressão para que Bolsonaro o demita, por causa do comportamento desrespeitoso do ministro, além da sequência de erros no Enem.

Nesta quarta-feira (5), um grupo de parlamentares pediua o STF (Supremo Tribunal Federal) o impeachment do ministro e apresentou uma denúncia por crime de responsabilidade. 

Dias atribulados

Na cerimônia, Bolsonaro também se defendeu de críticas a outras áreas sensíveis de seu governo. “Foram dias seguidos interruptos de muita atribulação.” Ao anunciar que estava assinando um projeto de lei que permite mineração e geração de energia elétrica em terras indígenas, ele reclamou que os ambientalistas atrapalham o progresso da Amazonia.

“Espero que esse sonho pelas mãos do Bento [Albuquerque, ministro de Minas e Energia] e os votos dos parlamentares se concretize. O índio é um ser humano exatamente como nós, com coração, sentimento, alma, desejo e necessidades. É tão brasileiro quanto nós.”

Em seguida, disparou:

“Se um dia eu puder, confino todos na Amazônia, já que gostam tanto do meio ambiente”.

No ano passado, “o pessoal do meio ambiente” pressionou o governo, especialmente em relação ao aumento do desmatamento na Amazônia.

O presidente defendeu ainda a atuação dos militares. “Sempre teve perseguição às Força Armadas por parte da esquerda porque sempre fomos a última barreira ao socialismo. (…) Esse é um governo que hoje em dia reconhece a atividade militar como sendo essencial para manutenção da nossa democracia.”

Aos defensores do estado laico, Bolsonaro também mandou um recado: “Temos estado laico sim, mas temos um presidente e grande parte da população brasileira que é cristã e se orgulha disso”. No fim do discurso, o presidente frisou seu lema “Deus, pátria e família” e disse que está no governo porque todos presentes na cerimônia acreditam no Brasil e em Deus.